SAUDADES NAUFRAGADAS NO CAIS

A poesia Cais Triste foi escrita para matar minhas saudades daquela Ribeira distante, que se transformou em bairro, debruçada na beira de um cais, povoado de solidão e de tristes despedidas.

CAIS TRISTE

Um afeto que se desfez inexiste

 Não pode palavra dar dimensão

Quem poderá descrever solidão

Bisca solta que se prende ao nó

Preso, calo meu canto de ser só

Oh, secura, vinde verde pros meus olhos!

Na tua mais completa exatidão.

Oh, doçura, água ardente vem me matar,

Em tuas forcas cordas de violão.

E exilado, náufrago vive coração

Acalento triste, dura sofreguidão

Cifra verso branco numa nota dó

Sina é morte que sobrevive a pó

Oh, mistura, vida inversa e cantos de esquinas!

Oh, fortuna, fina gardênia exalam tuas meninas!

Tua Ribeira perdeu o veio das minas

Num cais triste quinda muitos fascina

Em água doce, banhos de carências

Resgata alegre, aromas e essências

Mitiga quem se olvida de vida sofrida

E quem não chorou uma vez na vida

Diga lá canto de esquina,

Traz de volta tua menina.

Mar de medo me faz amar.

Autor: José Maria Cavalcanti

Anúncios