Zé Ramalho

CHICO BUARQUE, CAETANO, MILTON, GIL, ZÉ RAMALHO, RAUL SEIXAS E MUITOS OUTROS

Analisar as letras das músicas destes grandes talentos da MPB não é tarefa fácil. Músicas com mensagens inteligentíssimas, como as de Chico Buarque, que eram verdadeiros panfletos políticos, carregados de teor metafórico, com uma linguagem cifrada, pronta para ser decodificada por seus ávidos fãs em um período difícil, vivenciado por todos eles na década de sessenta. Caetano, Milton Nascimento e Gil compuseram também canções emblemáticas, que vamos carregá-las para sempre em nossos corações. Raul Seixas, nosso maluco beleza, compondo suas enigmáticas e filosóficas letras, ganhou muitos seguidores no ritmo do rock.

Poderíamos começar o quadro de Análise de Letras de Músicas com qualquer um deles, mas Zé Ramalho foi o escolhido com a música:

CHÃO DE GIZ

Eu desço dessa solidão, espalho coisas sobre um chão de giz
Há meros devaneios tolos a me torturar
Fotografias recortadas em jornais de folhas amiúde
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes

Disparo balas de canhão, é inútil pois existe um grão vizir
Há tantas violetas velhas sem um colibri
Queria usar quem sabe uma camisa de força ou de vênus
Mas não vão gozar de nós apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom

Introdução

Agora pego um caminhão, na lona vou a nocaute outra vez
Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar
Meus vinte anos de “boy, that’s over, baby” , Freud explica
Não vou me sujar fumando apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom
Quanto ao pano dos confetes já passou meu carnaval
E isso explica porque o sexo é assunto popular

no mais estou indo embora 3x

No mais…

Uma análise da música do cantor Zé Ramalho feita no embalo do som maravilhoso deste artista nordestino.

O poeta é volúvel, está sempre se apaixonando (a fraqueza do seu calcanhar), principalmente quando se é muito jovem.

Zé Ramalho compôs esta música com “Meus vinte anos de boy”.

Primeiramente concordamos se tratar da relação homem e mulher. Agora trataremos de decifrar a idade  que tinha a musa. No verso “Há tantas violetas velhas sem um colibri”, poderemos inferir que a amada era mais velha que o jovem artista e que ele desdenhava dela por não mais receber suas atenções. Em contrapartida, ele”dispara” contra ela e faz ameaça, dizendo ser um colibri, livre para buscar novas rosas ou até mesmo outra violeta velha.

Ela era uma mulher da alta sociedade, certamente famosa. Deduzimos isto no seguinte verso: “Fotografias recortadas em jornais de folha, amiúde”. Ele acompanhava a vida dela por meio da imprensa, guardando tudo a seu respeito. Com o afastamento que se deu, o amor dele se tornou platônico. Dali em diante, poderia apenas contemplá-la, mantendo-se distante.

Quando se dá conta que para ela tudo havia passado e acabado (that´s over), ele extravasa: “Não quero te beijar gastando assim o meu batom”  “Quanto ao pano dos confetes já passou meu carnaval”; e “No mais estou indo embora”.

Com as palavras “Meu carnaval…” o poeta associa que para ele foi como uma festa frenética, movida a uma alegria efêmera.

Ele finalmente desiste dela ao perceber que para ela foi tudo como uma espécie de brincadeira de criança, que se diverte sobre os traços desenhados no chão, riscado com giz.

As relações amorosas causam impactos e geram muitas expectativas nas pessoas. Em algumas mais e em outras menos. Às vezes, o outro não entende que tudo acabou ou que nada havia e enlouquece (vai uma camisa de força aí) na busca das razões de ser desprezado ou mesmo de ser tratado com indiferença, e termina caindo em profunda melancolia.

Autor: José Maria Cavalcanti


Como você analisa esta letra da música de Zé Ramalho? Faça seu comentário. Estou esperando.

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