NOITE FELIZ!

CENA DO NATAL

Cheguei à cidadela e procurei os amigos que há muito não via, mas me dei conta, enfim, que não estavam em casa, embora fosse noite alta. Tudo parecia tão vazio, qual povoado fantasma. É a mais estranha sensação ver ruas e casas vazias, embora percebesse que ali tudo fora decorado com bom gosto. E, ao passar pelas calçadas, olhando as grandes janelas iluminadas, podiam ser vistas mesas que já estavam preparadas para um banquete logo mais.

Lembrando da tradição daquela noite, recordei que só haveria um lugar provável para agrupar tanta gente: a igrejinha depois da praça.

Segui rapidamente para pegar o amém, e quem sabe assim não tomariam minha presença tardia como descaso.

A pressa esquentou meu corpo, aquecendo-me daquela noite gelada, e me fez chegar ligeiro. Ao me aproximar, fiquei encantado com aquela cena maravilhosa. Não se distinguia ali diferenças entre as pessoas porque todos pareciam apenas um. Um só canto, uma só alegria, um só aperto, um só abraço e uma só fé. Não pude deixar de descrever com os versos abaixo aquele cenário marcante:

NOITE FELIZ

Cidade pequeninha

Na igreja todos a rezar

À praça, solitária andorinha

Todos à espera, e o galo a cantar

No altar, presépio e o Jesus Menino

Beatos, devotos, e irmãos felizes a orar

Nosso Deus, que é o senhor de nosso destino

Lá no alto, sorridente, feliz escuta o velho sino tocar

Calor humano, fraternidade, que até nem parecia ser frio

Mãos se apertavam, braços se abraçavam, e era tudo bom demais

Energia contagiante. Os fiéis debaixo da nave principal qual ninguém viu

Tudo era tocante naquela noite de Natal que poderiam sempre viver em paz

 

Autor: José Maria Cavalcanti ( texto e poesia)

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