CANTINHO DA SAUDADE

UMA POESIA MAGNÍFICA – JOÃO RIBEIRO FILHO

Como Esquecer

Como esquecer da rosa de cetim,
Correndo como sangue em minhas veias?
– Tu és a mais formosa das sereias,
Uma flor em botão no meu jardim!

Como esquecer de ti, meu querubim,
Se as taças de saudade inda estão cheias?
Ardente coração, tu me incendeias
Como a chama desse amor que não tem fim!

Hoje, surgiu o teu aniversário…
São 15 aninhos, fúlgido cenário,
Alvorada de um lindo amanhecer!

Como esquecer deste brilhante dia?
Aurora boreal que me irradia
– Via-láctea, piscando em meu viver!

João Ribeiro Filho

Elaborar poesia é uma das mais tradicionais formas de arte. Escolas literárias foram reconhecidas pelas características que seus poetas transmitiam seus pensamentos, sempre interagindo com a sociedade na defesa de ideais ou promovendo outros movimentos estéticos. Embora seja  hoje uma modalidade artística pouco apreciada, ainda atrai seguidores pela beleza e encanto com que seus versos, musicais e rimados, passam a inspiração poética.

Muito cedo, comecei a fazer versos, que falavam dos amores da minha meninice ou das belezas da natureza, como o mar, um céu estrelado, um nascer ou pôr do sol. Tudo era motivo para minha criação, embora não tivesse a bagagem necessária e a experiência para composições mais elaboradas. Hoje sinto uma alegria indizível na elaboração arquitetônia desse pequeno edífico de palavras que é a poesia. Se bem que essa seja uma ideia de João Cabral de Mello Neto, que se dizia engenheiro das palavras.

Tais profissionais hoje são raros, mas gostaria de fazer uma homenagem a um que conheci de perto e com o qual compartilhei da alegria de sua criação, quando recitava para mim suas obras de arte. Refiro-me ao artista Joãozinho, como era conhecido por todos. Dentre tantas, tentarei traduzir toda a emoção que ele sentiu ao compor “Como Esquecer”.

O poeta, João Ribeiro Filho, fala do mundo cor de rosa em que vivem as jovens em sua adolescência, envoltas em sonhos e doces fantasias, vestidas lindamente, como rosas de cetim. Como seu próprio sangue, comparativamente acetinado, a correr por suas veias, tão vital ele é como o seu verdadeiro, que fluía por  seu corpo, bombeado por um coração movido pela força apaixonante do amor,  motivada por sua musa inspiradora, sua neta Priscila,  que  naquele dia cumpria 15 anos.

Ele compara sua deusa com as sereias, ser imaginário que povoa o universo poético, que, com seu canto mágico e envolvente, atrai os marinheiros para si. Não só isso, ela também é “uma flor no seu jardim”, não desabrochada, mas que ainda conserva sua forma de botão, denotando a tenra idade da linda menina.

Anjo de luz! Sim, ele também a eleva a categoria maior que um ser humano não pode alcançar, tamanho é a sua devoção.

Taças de saudade reflete que só de vez em quando ele podia desfrutar de sua doce presença, por isso transborda nele a saudade.

E o sentimento é tão intenso que chega a queimar seu interior, ardentemente.

No cenário da festa, ele imaginou quanta coisa gostosa ainda viria a acontecer na vida de sua pequena amada como a antever o futuro.

Aos quinze anos, era tradição apresentar as belas jovens à sociedade, pois elas tinham atingido o apogeu de sua forma e beleza. Tal dia ninguém esquece, tal qual o poeta se deslumbrou ao ver quão linda estava a primeira neta, filha de Jodinaldo e Edite.

Tal como a aurora boreal é um grande clarão de luz, sua belíssima neta irradiava luz igual, como uma estrela da Via-láctea, piscando eternamente em seu viver.

Com certeza, de onde ele estiver, João Ribeiro Filho continua a se encantar com suas netas  queridas, Priscila e Patrícia, que sempre foram objeto do seu grande amor.

João Ribeiro Filho, foi casado com dona Gercina, viveu muito feliz, tendo cinco filhos e uma filha, muitos netos e netas. Além de  trabalhar bastante, escreveu inúmeras poesias em sua vida. Tal produção literária será um dia publicada em livro.

Texto de José Maria Cavalcanti

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