Lindo Pôr do Sol

 

REDONDO E ALARANJADO


Não sei se você já parou para reparar que quase tudo que é gostoso, importante e lindo tem a forma arredondada.

Vou começar com o saboroso bolo da minha saudosa tia Zefinha, naquela fôrma redonda, e a forma carinhosa como nos servia, isso carrego comigo como um quadro inesquecível!

Claro que ela servia a guloseima em pratos e copos redondos. Suas panelas ao forno, nas quais preparava nosso alimento, eram aguardadas com ansiedade única. E a panela mais apreciada era a grandona, que vinha cheirando gostoso e seguia diretamente à mesa. Não quero nem lembrar que já dá água na boca, pois aquela comida caía redondinha no buraco das barrigas do amoroso tio Antônio Pedro e de todos os primos /primas, ali reunidos em volta da mesa.

Não vamos nos ater somente nas nossas necessidades imediatas. Que tal seguirmos para uma dimensão maior, algo que é antes de nossa existência. Estamos falando do cosmos, uma palavra que tem duas bolinhas e só não tem três porque o “c” esqueceu de se fechar. Pois é, todo o universo se move descrevendo elipses, mas os sóis, os planetas e as luas são arredondados. Tem até o tal do buraco negro, que dizem ser, ao mesmo tempo, vala e passagem. Vala que atrai e suga velhas energias e se cogita que também sejam arcos de passagem para outras dimensões.

Acho mesmo que Deus estava redondamente intencionado com as curvas do seu universo, querendo deixar claro ser maior que Pelé, pois está sempre no domínio de todas as bolas. Aliás, foi Ele que nos concedeu o poder para conceber os mais variados tipos de formas arredondadas para nosso entretenimento. Com base no formato circular, foram criadas as esferas mais pesadas para a bocha e para boliche; também as bolas mais leves para o basquete, o futebol e o vôlei; bolinhas menores para o golfe, beisebol e para o tênis, além disso, foram também idealizadas as pequeninhas bolinhas de gude, bem coloridas, tudo para nossa diversão.

Tais esportes são praticados nas olimpíadas, que têm como símbolo cinco arcos unidos, representando os continentes.

Sem falar nas rodas dos carros, das bicicletas e de outras formas de locomoção. Sem recebermos a invenção da roda, nada teria progredido, de forma cíclica e sistematizada.

Do disco de vinil, chegamos na era da tecnologia, vivendo hoje às voltas com HD e DVD, tudo em formato circular, sem contar que minha caneta, que ora escrevo, tem na ponta uma esfera, por isso é esferográfica, para deslizar melhor sobre o papel.

Você consegue perceber que estou dando voltas, mas não pode discordar de tudo, pois tais formatos encantam a todos. E o que mais toca o coração da humanidade, sem dúvidas, é o nascer e pôr do sol. Às vezes parece que uns são mais especiais que outros, principalmente lá num cantinho prazeroso da barragem de Pau dos Ferros, uma das paisagens mais lindas da minha infância.

Lá do Alto do Açude, bairro onde ficava a outrora casa dos meus pais, ao lado do Patronato, fiquei extasiado naquela visita que fazia ao mesmo local que nasceram meus irmãos mais velhos. Dali pude contemplar a beleza daquele maravilhoso poente. Quisera naquele momento ter o mesmo dom do saxofonista Jurandy para tocar o bolero de Ravel, dando vida às notas, que se dissipariam docemente pela abertura redonda do magistral instrumento, para admiração de todos os pau-ferrenses.

 

Autor: José Maria Cavalcanti

 

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