Toque na Alma feminina

 

 


GONZAGUINHA – DA REBELDIA AO CORAÇÃO

Ele poderia viver à sombra gigantesca do pai, mas demonstrou sua personalidade forte ao trilhar seu próprio caminho e assim ocupou um lugar entre as grandes estrelas da MPB.

Começou nos festivais de música dos anos 60, compondo músicas de protesto. Somente em 1973 conseguiu gravar seu primeiro disco pela EMI-Odeon, ainda compondo temas contundentes e irônicos.

A contar de 1982, com o álbum “Caminhos do Coração”, ele ficou mais leve, deixando ceder sua entranhada militância social para dar lugar às coisas do coração. A música “O que é, o que é” passou a ser o carro-chefe do seu repertório, abrindo um espaço maior para sua consagração entre seu fãs.

Com letras que tocam a alma feminina, Gonzaguinha em vida foi presenteado com grandes interpretações das melhores cantoras de nossa música. Ele humildemente sempre se considerou como um bom intérprete de suas composições e não um cantor.

Cantora Simone

Sangrando

Gonzaguinha

Composição: Gonzaguinha

Quando eu soltar a minha voz
Por favor entenda
Que palavra por palavra
Eis aqui uma pessoa se entregando

Coração na boca
Peito aberto
Vou sangrando
São as lutas dessa nossa vida
Que eu estou cantando

Quando eu abrir minha garganta
Essa força tanta
Tudo que você ouvir
Esteja certa
Que estarei vivendo

Veja o brilho dos meus olhos
E o tremor nas minhas mãos
E o meu corpo tão suado
Transbordando toda a raça e emoção

E se eu chorar
E o sal molhar o meu sorriso
Não se espante, cante
Que o teu canto é a minha força
Pra cantar

Quando eu soltar a minha voz
Por favor, entenda
É apenas o meu jeito de viver
O que é amar

Análise da música

É certo que com o silêncio é possível se comunicar, mas sem dúvida soltar a voz ainda é a mais poderosa ferramenta de expressão de que se vale todo ser humano, ainda mais quando se está enamorado. Sempre será a melhor maneira de dizer o que se sente na alma, com toda a força do verbo.

Existe o velho ditado que diz: “A boca fala daquilo que o coração está cheio”. Isto é a mais pura verdade. Quando expressamos nossos pensamentos, estamos na verdade nos entregando, compartilhando com quem ouve nossos sentimentos mais íntimos.

A verbalização do que se passa na nossa cabeça é mais intensa por meio da voz. É com ela que se toca o coração de quem se ama; do mesmo modo, ela é também muito eficaz como elemento do discurso para falar de nossas lutas e para incitar uma multidão.

Às vezes tais emoções são tão fortes que são capazes de nos fazer sangrar.

Para se ter ideia dessa força que dispomos, quando uma oração é elevada com a suprema fé, do corpo da pessoa pode verter gotas de sangue pelos poros. Todos conhecem os efeitos do poder da palavra quando abrimos nossa boca para interceder a Deus. Se com pensamentos positivos já transformamos tudo a nossa volta, com o poder da palavra mobilizamos todo o Universo para que nossos desejos se realizem.

Não importando a forma de externar o que se sente, sabemos que essa força grande não pode ser contida no frágil corpo, vindo inevitavelmente a transbordar sob a forma de discursos falados ou musicados.

Melhor ainda se esse gritar do coração puder ser musical. É um recurso a mais a tocar as sensações do outro. Ninguém resistirá à intensidade desse assédio sentimental: palavra, canto e a música, tudo a serviço do amor!

Sabemos que quando o mais belo dos sentimentos nasce dentro da gente, ele é minúsculo. Aos pouquinhos ele vai crescendo e permeando cada célula do nosso corpo, até não podermos mais represá-lo. E fica tão grande a ponto de causar o intenso brilho no olhar, fulgor intenso na pele da face, iluminando mais e mais o rosto de quem está embriagado de amor.

O sentimento aflora, diante da força incontrolável dessa corrente. E tudo salta de dentro de você, numa explosão inevitável.

Depois o que se sente é uma sensação de alívio, expressa no sorriso molhado do sal das lágrimas.

É tremendo sentir tão intensamente a ponto de suar sangue e chorar para lavar as faces, inundando a indisfarçável alegria.

Pode até causar espanto, mas é apenas o jeito que alguns amantes têm de se expressar. Gritar o amor por meio do seu canto.

Diante do verdadeiro amor, os amantes se rendem. E quem resiste a uma declaração de amor, falada e cantada aos quatro cantos, numa explosão de emoção tão forte que provoca suor, sangue e choro.

Autoria de José Maria Cavalcanti

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