NATAL NO PASSADO

NATAL – RN – O GRANDE PONTO

 
 Foto: Grande Ponto – Anos 30
O Grande Ponto é um ponto tradicional de Natal, onde acontecem coisas do arco da velha, há muitos e muitos anos. José Guilherme não menciona com exatidão quando aconteceram os episódios por ele narrados – nem precisa. Mas devem se situar entre 1940 e 1960, por aí.
Quando chegamos a Natal, em fins de 1948, meu pai estranhava que os pedestres ficassem conversando, em pé, em grupelhos, no meio do Grande Ponto. E o pessoal não se afastava quando se buzinava, pedindo passagem. Afinal, não sabíamos porque os grupos ficavam estáticos “no meio da rua”. Custamos a entender que aquilo era um costume local, e, portanto, uma questão cultural.
Da nossa época, José Guilherme citou Jaecy “O Fotógrafo Poeta”, os cinemas Rex e Pax, a Sorveteria Cruzeiro, de Antônio China, a Casa Vesúvio, de Rômulo Maiorana, que foi morar em Belém, onde construiu um império constituído de jornal, rádio e televisão, o Botijinha, de Jardelino, o Estádio Juvenal Lamartine, onde jogamos algumas vezes pelo Guarany Esporte Clube, fundado por Levi Caminha e meu irmão Carlos Aloysio, enfrentando o infanto-juvenil do ABC de Ezequiel Ferreira de Souza, Paulo Eduardo Firmo de Moura e Fabiano Veras, o América, de Kléber de Carvalho Bezerra e Etevaldo Miranda, o famigerado Teté, também conhecido como “Vírgula” pelas suas pernas arqueadas, as Lojas Seta, onde muitos anos depois acompanhei, constrangido, a diligência de um oficial de Justiça na penhora de bens de uma ação executiva movida contra ela por Confecções Torre S.A., do Recife, da qual eu era advogado.
José Guilherme escalou um alegre time de “veados e outros animais honestos que formavam a ecologia daquela Passárgada: o mitológico Rei Momo Luizinho Doblechen, Pinóquio, Detefon, Madame Sônia, a Cartomante, e “seu” Martins, professor de Clodovil.” Esqueceu Velocidade e Biguá, cujo apelido teve origem na sua semelhança física com o lendário paraense que formou a célebre linha-média tricampeã do Flamengo (1942, 1943 e 1944): Biguá, Bria e Jayme de Almeida.
José Guilherme falou famoso Coronel Guerreiro, pai de uma morena linda. Os irmãos da morena, cujo nome eu esqueço, mandavam que ela caminhasse na frente deles para dar porrada em quem a cantasse. Relembrou Ivanildo “Deus” advogado, que encontro, de vez em quando, na Rua da Imperatriz. Em Desenho, o maior presepeiro natalense. Nos desfiles de Maria Boa, em pleno Grande Ponto “que aos domingos, cinco da tarde, hora em que a nata da sociedade natalense se concentrava ali, passava devagarzinho, acintosamente, no seu “conversível”, com motorista e tudo, abarrotado com as meninas mais respeitáveis e mais bonitas da cidade, a maioria importada, cuja porta-estandarte era Eurídice, gauchona de 50 talheres”. Além de Maria Boa, tínhamos Francisquinha, Belinha e Vanda, festejadas donas de pensão, devidamente protegidas pelos mais altos e circunspectos membros dos poderes executivo, legislativo e judiciário federais, estaduais e municipais.

Fonte: Arthur Carvalho, advogado e jornalista transcrevendo texto de José Maria Guilherme – Jornal do Comércio, Recife 28/10/2009

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Matéria publicada no Blog do Borjão.

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