Cartola

AS ROSAS NÃO FALAM

Cartola

Bate outra vez

Com esperanças o meu coração

Pois já vai terminando o verão,

Enfim

Volto ao jardim

Com a certeza que devo chorar

Pois bem sei que não queres voltar

Para mim

Queixo-me às rosas,

Mas que bobagem

As rosas não falam

Simplesmente as rosas exalam

O perfume que roubam de ti, ai

Devias vir

Para ver os meus olhos tristonhos

E, quem sabe, sonhavas meus sonhos

Por fim

Cartola e Mangueira são entidades inseraparáveis.

Uma relação de amor tão forte que só foi comparada ao que ele sentia por dona Zica.

E o samba moveu a existência dos dois e ritmou suas vidas, de forma indissociável.

Ao vislumbrar na verde rama a mais bela rosa, ele se inspirou, deu cores a sua escola e compôs uma das mais lindas obras de nossa música.

Alguns poetas comparam a mulher a uma linda noite, outras vezes dizem ser ela uma estrela brilhante ou a enaltecem ao ver o resplendor do clarão da lua.

Já Cartola compara a mulher com a rosa, ao perceber nela singeleza, delicadeza, beleza e aroma.

E de tão encantado com a perfeição da forma da rosa que chega a confudi-la com uma bela criatura.

Mas se dá conta que ela não pode falar nem ouvir seus lamentos, apenas pode exalar, como as mulheres, seu doce perfume.

Assim como os amores, as rosas também têm suas estações. Ambos vêm e vão, fazendo bater o coração.

Dizem que o bom jardineiro é aquele que tem a mão para fazer abrir a flor.

As mulheres são como as rosas do jardim: com amor, elas se abrem; sem amor, murcham.

Às vezes os nossos sonhos não são aqueles que nossa amada sonhou ou sonha para ela.

E nem tudo é para sempre.

Autor José Maria Cavalcanti

Nelson Cavaquinho, Cartola, Billy Blanco e Adoniran

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