Emílio Santiago

aquarelices

VOZEIRÃO INIMITÁVEL

SAIGON

Letra de Cláudio Cartier, Paulo Feital e Carlão.

Intérprete – Emílio Santiago

Tantas palavras
Meias palavras
Nosso apartamento
Um pedaço de Saigon
Me disse adeus
No espelho com batom

Vai minha estrela
Iluminando
Toda esta cidade
Como um céu
De luz neon

Seu brilho silencia
Todo som
Às vezes
Você anda por aí
Brinca de se entregar
Sonha pra não dormir

E quase sempre
Eu penso em te deixar
E é só você chegar
Pra eu esquecer de mim

Anoiteceu!
Olho pro céu
E vejo como é bom
Ver as estrelas
Na escuridão
Espero você voltar
Pra Saigon

Seu brilho silencia
Todo som
Às vezes
Você anda por aí
Brinca de se entregar
Sonha pra não dormir

E quase sempre
Eu penso em te deixar
E é só você chegar
Pra eu esquecer de mim

Anoiteceu!
Olho pro céu
E vejo como é bom
Ver as estrelas
Na escuridão
Espero você voltar
Pra Saigon

Há mais de quarenta anos, ele começou a carreira ganhando concursos de calouros e depois lançou suas belas “Aquarelas”. Assim, Emílio Santiago ganhou fama na MBP, principalmente por causa daquele seu vozeirão incomparável – nosso Nat King Cole -, para alguns.

Muitos são apaixonados pela interpretação que ele dá a sucessos como: Verdade Chinesa, de Carlos Colla/Gilson; Fato Consumado, do Djavan; O Que é Amar, de Johnny Alf; Desenho de Giz, do João Bosco/Abel Silva, Papel Machê, de João Bosco/Capinam; Perfume Siamês, de Altay Velloso/Paulo Feital ou Beijo Partido, de Toninho Horta, mas aquela que escolho para analisar é a que mais me encanta: SAIGON.

“Tantas palavras/Meias palavras…”

Para se dar o diálogo, faz-se necessária a expressão do pensamento por meio de palavras. Cada verbete da língua possui um significado, às vezes alguns ganham novas roupagens no falar do povo.

Assim como um papo cabeça, um desentendimento também requer muitos vocábulos para que um casal deixe tudo bem claro, ao discutir a relação, mesmo que no meio do atrito surjam muitas meias palavras, que muitas vezes soam como verdadeiros insultos.

Uma coisa é a paixão, aquela atração irrefreável que surge de repente. Outra coisa é dividir o mesmo espaço, conhecer os defeitos e limitações de cada um, aceitando tudo de forma incondicional.

Viver a dois é o melhor tratamento do ego. Nele há muito atrito, lapidação, até que as pedras brutas, nesse longo processo, vão se tornando, um para o outro, joias preciosas.

Algumas coisas na relação cortam nossa carne, e só com muito amor e paciência que duas pessoas conseguem superar muitas das suas diferenças.

“Nosso apartamento/Um pedaço de Saigon…”

Um pequeno pedaço de chão pode se transformar num paraíso ou num campo de batalha.

Saigon, como todos sabem, foi um cenário triste de muitas mortes, durante a Guerra do Vietnã. Lá, os americanos sofreram uma grande derrota, lutando ao lado do Vietnã do Sul, contra o Vietnã do Norte, lado minoritário que saiu vencedor desse conflito bélico.

Às vezes um pequeno quarto se torna palco de guerra, onde dois não querem ceder. Com o tempo, aprende-se que para se ganhar algo é preciso abrir mão de alguma coisa e não é possível ter tudo de uma só vez.

“Me disse adeus/No espelho com batom…”

Olhar nos olhos é o ato mais comum entre pessoas que se amam. É o momento de captar o sentimento do outro, a intensidade de cada emoção. Quando não há mais diálogo, evita-se o encontro dos corpos como forma de saída. Por isso é comum, depois de uma discussão, despedida bem loucas, atirando roupas pela janela, deixando as malas no corredor, expulsando o ser amado do antigo ninho de amor. Despedir-se deixando uma nota escrita também é muito comum e, na falta de caneta ou de um lápis, vai batom mesmo.

“Vai minha estrela/Iluminando/Toda esta cidade/Como céu/De luz neon…”

Por falta de maturidade, muitas vezes que não queremos ceder, mesmo sabendo que não iremos conseguir viver sem a outra pessoa.

Dói lá dentro vê-la/o partir, pois ela é tudo na sua vida e sem ela tudo se apaga em você.

Ela, mesmo com muitos defeitos, é sua luz, sua condução.

Por onde ela passa, tudo o mais se ilumina, como uma estrela, de luz neon.

“Seu brilho silencia/Todo som/Às vezes/Você anda por aí/Brinca de se entregar/Sonha pra não dormir…”

Imagem e som, uma forma figurada de traduzir a importância da presença do ser amado. Quando ele está presente, tudo para: o som, o tempo e o girar do mundo.

Para mexer com você, ela finge de se entregar e sonha pra não dormir. É você que ela quer e sonha. A magia que há entre duas pessoas não se explica. Com outro não rola, tem que ser exatamente com aquele.

“E quase Quando há muito conflito, as partes pensam sempre em separação, mesmo sabendo que um não pode viver sem o outro. Prova é que, quando um está pertinho do outro, toda a dúvida se esvazia.

Isto é: “E quase sempre/Eu penso em te deixar/E é só você chegar/Pra eu esquecer de mim…”

“Anoiteceu!/Olho pro céu/E vejo como é bom/Ver as estrelas//Na escuridão/Espero você voltar/Pra Saigon.”

Quando anoitece, cada pessoa se vê sozinha. Nessa hora bate a solidão e com ela a saudade do ser querido. Nesses momentos de carências afetivas, é melhor a paixão louca e turbulenta que o vazio dos lençóis.

Acho mesmo que a música SAIGON era pra Emílio Santiago a Conceição do Cauby. Era impossível sair do palco sem cantá-la, virou marca registrada de cada um desses grandes ídolos. Com um detalhe, Emílio sempre foi fã incondicional de Cauby.

Autor José Maria Cavalcanti

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