Fiamma – Feliz 30!

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ESTRELAS DA MINHA VIDA

FIAMMA

O exímio piloto empurrou o manche do Avro – C91 pra frente, fazendo baixar o profundor. Com isso, o bico da aeronave se inclinou ao encontro da pista. A aproximação foi perfeita, e a aeronave pousou suavemente no Campo de Aviação de Guaratinguetá. Após o corte dos motores, desci os poucos degraus do avião, seguindo a ordem prevista.

O mecânico, amigo de longa data, já há algum tempo havia baixado seu rei, depois de uma longa e acirrada disputa no tabuleirinho de peças imantadas. Havia sido uma partida travada em alto nível, literalmente. Aquela foi nossa maneira prazerosa de fazer passar o tempo no longo percurso aéreo entre Natal e a cidade das garças brancas.

Era um domingo de céu azul, mas com um vento frio que gelava até a alma. Agarrei minha mala e me despedi da tripulação, agradecendo por mais um voo tranquilo e em boa companhia.

Aquele intenso frio já era previsto, era forte o suficiente para me fazer trocar as roupas por outras mais apropriadas para a temperatura ambiente. Estava em férias, período que iniciaria no dia seguinte: 27 de junho de 1983.

A folga daquele mês era especial,  estava indo ao encontro de Isabel na casa dos pais dela. Ela estava grávida com previsão do nascimento do bebê para o início de julho. Com a intenção de deixá-la pertinho de seus familiares por ocasião do primeiro parto, tínhamos aproveitado uma carona, quase dois meses antes, de um Bandeirante da Força Aérea para levá-la de volta ao aconchego do lar da família Simões. Este ato me deixou mais tranquilo e a futura mamãe também, além disso, a ideia agradou a todos em Guaratinguetá.

Após ser recepcionado pela esposa, que já se encontrava na casa dos pais, no coração da Vila Molica, comecei a desfrutar das mordomias da vida com aquela querida família, visto que havia ficado solitário na nossa casa, na cidade do sol, por mais de 40 dias.

Percebi que não só eu estava emocionado com o primeiro bebê, havia todo um clima de ansiedade por parte dos sogros e das cinco titias (Tica, Belinha, Madá, Nati e Débora), que disputavam para ver quem iria trocar a primeira fralda ou dar o primeiro banho na criança.

Aproveitando os temperos gostosos da sogra, Dona Nadyr, e os bate-papos animados do sogro, Benedito Simões, o tempo voava. E logo chegou o dia do aguardado exame da consulta médica. Após as averiguações, saímos dali felizes com a notícia de que a gestação estava ocorrendo muito bem e que teríamos uma menina. Era uma quinta-feira, dia 30 de junho.

Isabel queria colocar o nome de Fabíola, e eu queria homenagear a origem italiana da família Cavalcanti, colocando um nome latino: Fiamma, que significa “chama ardente”. Assim definimos que a nossa primeira menina se chamaria Fiamma Fabíolla. Ainda não sabíamos que a força do primeiro nome iria determinar a maneira como ela seria chamada por todos os familiares e amigos.

Compartilhamos com todos a alegria e fomos comprar as primeiras roupinhas na Pimpolho, que era uma loja de roupas infantis dos nossos padrinhos de casamento, localizada no centro da cidade.

Acertamos com o médico da Aeronáutica para realizar o parto no Hospital da EEAer e nos certificamos de outros detalhes sobre o nosso retorno para o Nordeste, após o nascimento de nossa filha. Uma tia da Isabel, que vive até hoje na Penha, no Rio de Janeiro, fez o convite para nos levar de carro para a residência dela, no intuito de aguardarmos a partida de nosso avião, prevista para 23 de julho, saindo do Campo dos Afonsos/RJ – unidade militar carioca.

Enquanto aguardava ansioso pelo grande dia do nascimento, com Kinco, meu cunhado, fizemos vários passeios em sua moto vermelha Honda XL 250 R, que estava novinha. Era o primeiro final de semana do mês de julho, e o frio seguia com as mesmas temperaturas baixas do último mês do semestre findo.

Era a última semana de gravidez de minha esposa, e a expectativa era grande para o aquele aguardado início do sétimo mês do ano.

Fizemos churrascos em casa e preenchemos os dias com algumas saídas rápidas. No dia seis, fomos comer uma pizza no centro da cidade com Kinco e Cidinha, sua noiva (hoje casados com filhos e netos).

O que não contávamos era com o imprevisto do rompimento da bolsa amniótica, provocando um verdadeiro corre-corre.

Como era uma emergência, Kinco não pensou duas vezes, colocando sua irmã grávida na garupa da moto, levando-a para casa para buscar o kit bebê na casa dos seus pais.

Naquela hora, surgiu novamente a figura querida do “Santo Urbano”, o cegonheiro da família Simões. Era ele quem havia levada outras grávidas da rua e fazia aquilo com muito orgulho e alegria.

O carro somente saiu quando cheguei de táxi na Vila Molica, juntamente com a Cidinha.

Com a noiva na sua garupa,  Kinco nos seguiu e cruzou conosco os portões da famosa Escola de Especialista, passando pelos lindos painéis iluminados que decoram a avenida principal.

Cruzamos pela frente das esquadrilhas, passando pela pracinha, cassinos e vila residencial, até que finalmente chegamos ao hospital.

O médico plantonista e sua equipe nos receberam muito bem. Naquela altura, meu relógio indicava que havia passado da meia-noite e já havia uma boa dilatação, mas não o suficiente para início do parto.

Quando Isabel entrou na sala para ter neném, recebi autorização do médico para acompanhar o nascimento de minha filha, depois de prometer para ele que eu não iria desmaiar ou dar qualquer vexame na hora H.

Confesso que foi uma grande emoção e que tive de ser forte para controlar a incrível sensação de ser pai pela primeira vez.

Depois da primeira hora do dia 07, Fiamma nasceu após mais cinco minutinhos. Foi um parto tranquilo para nossa felicidade e de todos que aguardavam na sala de espera.

Veio ao mundo muito saudável e bonita, com quatro quilos e 51 centímetros.

Depois de um dia no hospital, mãe e filha foram liberadas e seguimos para a Vila Molica para receber as primeiras visitas dos familiares e amigos.

Fiamma foi agarrada no colo não somente pelos avós, mas também pelos bisavós, que também estiveram presentes na festiva recepção do bebê.

Depois de 13 dias maravilhosos, passados junto à família, Fiamma já estava bem espertinha e pronta para viajar para o Rio de Janeiro.

A despedida de Guará foi muito emotiva, pois todos já haviam se acostumado a paparicar a moreninha da família.

Pegamos a Rodovia Dutra e, depois de quase três horas de viagem, chegamos ao Rio, onde ficamos bem instalados, no aguardo de nosso regresso a Natal.

No mesmo mês de julho do ano seguinte, Fiamma ganhou uma linda e querida companhia: sua irmã Camilla.  Nossa segunda filha nasceu no dia 10, não no frio, mas no calor ameno de Natal. As duas cresceram sob o olhar cuidadoso e carinhoso da mãe, com minha presença constante. Até hoje, elas são inseparáveis amigas, o que nos enche de orgulho.

Nem parece que tudo isso se deu há tanto tempo e que 30 anos já se passaram, depois daquela madrugada tão feliz.

Fiamma se tornou uma mulher comunicativa, relacionando-se de maneira fácil com todos e, por gostar muito de crianças, formou-se em Pedagogia. Já tem experiência com o ensino e administração escolar. Casou-se com Pedro, marido querido por todos, com o qual tiveram os lindos gêmeos Gabriel e Ana Laura, que logo irão completar três aninhos. Gustavo, seu filho mais velho, já está com 11 anos e é um garoto muito inteligente e esperto.

Aproveitando esta data especial, quero desejar toda felicidade do mundo para você, juntamente com seu maridão, Pedro, e filhos (meus queridos netos): Gustavo, Gabriel e Ana Laura.

Parabéns por ser uma filha, irmã e mãe carinhosa e atenciosa.

Um beijão, Fiamma, te amo muito!

Autor José Maria Cavalcanti

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