Flor Bela Espanca

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Flor Bela de Alma Espanca, poetisa portuguesa, nasceu na Vila Viçosa. Viveu 36 anos e soube transformar seus sofridos sentimentos íntimos em poesia de rara qualidade. Escreveu muitos versos poéticos e contos. Fernando Pessoa escreveu um poema em memória à amiga: “alma sonhadora/irmã gêmea da minha!”.

Raimundo Fagner tomou todo um dos seus poemas para revelar aos brasileiros este grande talento.

Fanatismo

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

Tudo no mundo é frágil, tudo passa…
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros, Que tu és como Deus: princípio e fim!…”

(Livro de Soror Saudade, 1923)
Florbela Espanca

Com a alma, nossa essência vital, existimos, anelamos, sonhamos. Por ser a nossa força, ela nos impele às conquistas do nosso ideal de vida. Frente às adversidades do amor (não o amor divino), muitas vezes nossa mente se perde, desnorteada, principalmente quando um amor é maior que a nossa própria existência. Nossos sentidos são confundidos, criando imagens e sensações distorcidas, levando-nos à loucura.

Quando nos defrontamos com um amor tão grande, somos capazes de tudo, abrir mão de qualquer posse ou riqueza, tudo em nome desse amor. Enfrentar ou romper com regras e padrões sociais somente para ser fiel ao ser amado.

E mesmo que digam algo contrário, você só quer ouvir a voz interior que clama por essa chama que queima no seu íntimo.

Quando algo é tão grande, torna-se imensurável e infinito, como o amado Deus.

Autor – José Maria Cavalcanti

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