A RITA

buarque-e-toquinho---1964

A RITA

Chico Buarque

Disco Com Amor Com Afeto – 1980

A Rita levou meu sorriso
No sorriso dela
Meu assunto
Levou junto com ela
O que me é de direito
E Arrancou-me do peito
E tem mais
Levou seu retrato, seu trapo, seu prato
Que papel!
Uma imagem de São Francisco
E um bom disco de Noel

A Rita matou nosso amor
De vingança
Nem herança deixou
Não levou um tostão
Porque não tinha não
Mas causou perdas e danos
Levou os meus planos
Meus pobres enganos
Os meus vinte anos
O meu coração
E além de tudo
Me deixou mudo
Um violão

Quando o Chico Buarque surgiu, na década de 60, era uma espécie de Noel Rosa. Um rapaz jovem e branco cantando samba de qualidade.

“A Rita”, assim como outros sambas, foi recebida com entusiasmo, era a resposta musical à Bossa Nova, mas nosso genial Chico se encantou com Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Aí, já conhecemos a história…

Chico, em sua obra, tem como temática musical quase sempre uma mulher.

A RITA é uma delas, só que esta é especial, pois representou um caso de amor sucedido entre ele e uma cantora famosa estrangeira, quando eles eram muito jovens (ele tinha vinte anos, e ela dezoito, quase dezenove).

Ela era linda, de um sorriso mágico e envolvente, de roubar “qualquer assunto”!

O amor rolou, mas não teve final feliz.

Ao ir-se, ela pareceu arrancá-lo da própria carne, fazendo estragos no peito e no coração do jovem cantor e compositor, roubando seus projetos, seus sonhos…

E o retrato trocado, com juras de amor eterno, nem devolveu… Levou também com ela sua pureza, representada pelo São Francisco. Poderia levar tudo, mas que ao menos deixasse o raríssimo disco do Noel.

Agiu de forma mesquinha e vingativa. A intenção era machucar, feri-lo intencionalmente.

Nada dela ficou para ele se lembrar dos lindos momentos vividos a dois.

Só restou a dor daquela grande e inesquecível perda.

Sem alegria ou motivos pra viver, até o violão se aquietou.

Autor José Maria Cavalcanti

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