Xadrez – Ajedrez – Chess

NewYorkBryantPark

CRITÉRIO DE JOGO

 

Chegávamos sempre animados ao Turco Gordo, a sanduicharia mais corintiana de São José dos Campos.

Em dias de jogos do timão, ele recebia os mais fanáticos dos torcedores, todos vestidos com as cores do clube.

Na entrada do local, tínhamos a recepção sempre cordial do James, o proprietário da aprazível casa, que nos deixava praticar regularmente nosso xadrez, às terças-feiras noturnas.

Depois do juntar de mesas, tratávamos de arrumar o palco de batalhas, dispondo as peças em suas devidas posições, não esquecendo o preceito de manter a casa branca à direita do tabuleiro.

Os amigos, profissionais de várias áreas, iam chegando para a calorosa disputa, regulada pelo tempo, na cadência de 5 minutos para cada parceiro.

As peças bem trabalhadas, o relógio digital e o ritmo frenético dos lances eram uma atração à parte para clientes curiosos, principalmente aqueles que ficavam mais próximos.

Nossas mulheres já sabiam que ali nos esquecíamos do tempo, e os celulares pareciam estar sempre fora de área pelo não atendimento. Ali o trebelho reinava absolutamente.

Alguns confrontos eram rápidos. Até mesmos os mais experimentados tinham que tomar cuidado para não cair em alguma miniatura (partida concluída em poucos lances).

O mais gostoso é que todos se divertiam: os envolvidos na batalha e também os que aguardavam ansiosos por uma oportunidade.

Tínhamos o hábito de pedir bebidas, petiscos e lanches durante os jogos, o que tornava aquele dia da semana algo muito especial e aguardado por todos.

No calor da disputa, premido pelo tempo e sendo alvo de muitos olhares, ninguém queria fazer feio, por isso ficava focado 100%, não tendo tempo para beber ou petiscar. Os que estavam de fora davam pitacos, comiam e davam boas gargalhadas.

Eram sempre assim nossas noites enxadrísticas

No final de uma das brincadeiras, fomos interpelados por um curioso:

– Puxa, o carinha joga muito, ninguém consegue tirá-lo da mesa!

Dei uma gargalhada e respondi de imediato, contestando aquela falsa impressão:

– Ledo engano, meu amigo, ele é o que menos joga. O critério de permanecer à mesa jogando se aplica para o perdedor, porque, para nós, é visto como castigo, até o jogador conseguir vencer seu próximo adversário. Enquanto isso, os vencedores se aproveitam de tudo o que está sendo servido, para desespero do perdedor, que irá rachar a despesa de igual maneira.

O cliente deu uma boa gargalhada e retornou ao seu lugar.

Percebi que ele havia repassado a informação, e todos de sua mesa caíram na risada.

Quer melhor maneira de aproveitar o tempo de lazer?

Autor – José Maria Cavalcanti

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