Tira-dúvidas

AS DÚVIDAS MAIS FREQUENTES DA LÍNGUA PORTUGUESA SÃO TIRADAS AQUI NA PÁGINA DO TIRA-DÚVIDAS

PLURAL DAS SIGLAS

A maneira correta de se escrever as siglas é muitas vezes uma dúvida frequente entre os redatores e também entre os leitores. Hoje é comum o emprego da letra “s” , como indicativo de plural, juntamente com as siglas, muito embora algumas pessoas não se sintam à vontade com isto.

O caso se dá quando as siglas sofrem substantivação e passam a admitir normalmente a pluralização e a acentuação segundo as normas vigentes. Pouca gente sabe, por exemplo, que os dicionários registram as grafias “pê-eme” e “pê-efe”, cujos plurais são “pê-emes” e “pê-efes”. Atualmente há preferência, nas matérias da imprensa, pelas formas PM, PMs, PF e PFs, dado que são mais visuais e/ou sintéticas.

A sigla CPI no plural deve ser grafada da seguinte forma: CPIs e não CPI`s, como fazem alguns, pois se trata também do caso de substantivação já registrado há muito tempo, quando as siglas não eram tão frequentes quanto o são hoje. A tendência era substantivar para facilitar. Em vez de dizer “objeto voador não identificado”, optou-se por “óvni”, uma substantivação da sigla – daí o acento das paroxítonas terminadas em “i” e a possibilidade de pluralização (“óvnis”), sem uso de letras maiúsculas. É a forma consagrada no “Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa”, da Academia Brasileira de Letras.

Os manuais de redação padronizam a grafia das siglas da seguinte forma: siglas de até três letras são escritas em letras maiúsculas (ONU, DST, ONG, UTI, CTI, USP, PUC) e siglas de quatro letras ou mais escrevem-se apenas com a primeira letra maiúscula quando podem ser lidas como palavras (Aids, Libras, Unicamp, Bovespa, Anvisa) e em maiúsculas quando as letras são lidas uma a uma (IBGE, BNDES). Algumas seguem comportamento diverso, como UnB (Universidade de Brasília). Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) é uma forma abreviada, não uma sigla.

COMO ESCREVER CORRETAMENTE

DIA-A-DIA ou DIA A DIA

Fabíolla, antes você escrevia dia a dia, sem hífen (esta palavra é com acento), quando literalmente queria dizer “um dia após o outro”. Ex.: Dia a dia venho a sua casa. E escrevia a locução substantiva dia-a-dia, com hifens (no plural é sem acento), para equivaler ao substantivo “cotidiano”. Ex.: Ela tinha o dia-a-dia atarefado ou Um dia-a-dia é melhor com sorvete.

Obs.: antes, o que fazia a diferença de uma locução para a outra era o uso do artigo definido ou indefinado, transformando a locução em substantiva.

Com o Novo Acordo Ortográfico, não se deve mais empregar o hífen em tais locuções (conjunto de palavras que equivalem a um só palavra) substantivas.

Então, você deve escrever sem hifens a locução substantiva “dia a dia”, significando cotidiano; e também a locução adverbial “dia a dia”, significando diariamente. O contexto se encarregará de definir o significado de cada uma delas.

Outros exemplos de locuções que perderam o hífen: pé de moleque, sala de jantar, cão de guarda e fim de semana.

O Novo Acordo Ortográfico abriu exceções para as seguintes locuções: pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa, água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa e mais-que-perfeito.

LÍNGUA PORTUGUESA – NEM SEMPRE UMA FUSÃO POSSÍVEL


De + o = do   e   de + a = da, assim como de + ele = dele    e de + ela = dela.

Isto nem sempre é possível dentro da estrututa da oração. O caprichoso sujeito não admite vir preposicionado ou acompanhado de pronome, em alguns casos. Vejam os exemplos:

É hora do carro partir. Errado.

É hora de o carro partir. Correto.

A razão disto é que “o carro” é o sujeito da oração.

Apesar do diretor ter ficado aqui, nada foi feito. Errado.

Apesar de o diretor ter ficado aqui, nada foi feito. Correto.

O sujeito da oração é “o diretor”.

Na hora de redigir o texto, deve-se prestar atenção que o termo anterior é regido por preposição: é hora de, apesar de, a maneira de, depende de e assim por diante.

Esta fusão também é impossível quando o pronome iniciar o sujeito da oração. Exemplo:

Isto não depende dele querer. Errado.

Isto não depende de ele querer. Correto.

Perceba que o sujeito da oração é “ele querer”.

Comentem e enviem suas dúvidas!

FOTINHO E MOTINHO


Todo mundo já sabe como se faz o diminutivo. É simples, usa-se ZINHO (Esta peçazinha é chamada de sufixo) no finalzinho da palavra que você quer qualificar, carinhosamente. Como funciona no papel de agente qualificador, ele concorda no gênero (masculino ou feminino) do substantivo ao qual ele se junta.

Exemplos: um cometa, fica um cometazinhO; um poemA, fica um poemazinhO; e uma tribo, fica uma tribozinhA.

INHO é um sufixo (Eta, nomezinho feio!) especial. Ele conserva o O ou o A do final do substantivo que você quer colocar no diminutivo, sem se importar se é masculino ou feminino. Exemplo: um cometA, fica um cometinhA; um poemA, fica um poeminhA; e uma tribO, fica uma tribinhO.

Nos casos de FOTO e MOTO, reduções de fotografia e de motocicleta, se você vai optar por fazer o diminutivo com INHO, ficará assim: uma foto – uma fotinho; e uma moto – uma motinho. Caso use o outro sufixo, fica assim: uma foto – uma fotozinha; e uma moto – uma motozinha.

Você pode ter as duas opções também para o substantivo composto guarda-chuva, ficando: um guarda-chuvazinho ou um guarda-chuvinha.

Aquilo que os falantes consagram é respeitado, como é o caso de “fotinha” ou “motinha”, mas não faça este uso de maneira formal, somente nas salas de bate-papo. Nos comentários do Blog do Bollog, estes termos também são permitidos.

VÍRGULA – ESTA É OBRIGATÓRIA!


Exemplos:

Maria morreu cedo, e João tomou rumo.

O sol já estava fraco, e a tarde se fazia fresquinha.

A mãe trabalho pesado, e os filhos devoram os livros.

Nestes casos, contrariamente ao que aprendemos, antes do “e” deve ser colocada a vírgula.

A explicação é simples para os três exemplos: a segunda frase, iniciada pelo “e”, fala de uma ação praticada por um agente diferente da primeira.

Então, quando temos orações ligadas por “e”, cujos sujeitos são diferentes, coloca-se a vírgula, obrigatoriamente.

Isto se dá para esclarecer e alertar o leitor sobre a mudança do agente da ação, evitando-se confusão na leitura textual.

Veja o curioso vídeo sobre o emprego da vírgula!

LEMBRETES SOBRE O EMPREGO DA CRASE


CRASE


Saiu a noite ou à noite?

Depende.
Se “saiu a noite”, foi a noite que saiu. Eu vou entender que quem saiu foi a noite (=sentido figurado): “a noite surgiu, apareceu…” ou simplesmente “anoiteceu”.
Entretanto, se você “saiu à noite”, significa que você não saiu “à tarde ou pela manhã”, ou seja, “à noite” é um adjunto adverbial de tempo.

Saiu as 10h ou às 10h?

Só pode ter sido “às 10h”.
“Hora” indica tempo e é uma palavra feminina. É um adjunto adverbial de tempo formado por palavra feminina, logo devemos usar o acento grave: “A aula começa sempre às 7h”; “A reunião será às 8h”; “A sessão só começará às 16h”; “Ele vai sair às 20h”.

A reunião será a ou à partir das 14h?

O certo é: “A reunião será a partir das 14h” (=sem acento da crase).
“A partir de” é uma locução prepositiva formada por um verbo. Não há crase, porque é impossível haver artigo antes de verbo (=partir).

A reunião será … das 2h às 4h da tarde ou
de 2h às 4h da tarde ou
de duas a quatro horas ?

A reunião pode ser “das 2h às 4h da tarde” ou “de duas a quatro horas”. A reunião que vai “das 2h às 4h” começa exatamente às 2h e termina precisamente às 4h. Para haver a idéia de “exatidão, precisão”, é necessário que usemos o artigo definido. Isso justifica o uso da preposição “de” + o artigo definido “as” (=”das 2h”) e a crase (= “às 4h”). Não devemos usar “de 2h às 4h”.
A outra reunião que vai “de duas a quatro horas” não definiu a hora para começar ou terminar. Temos apenas uma idéia aproximada da duração da tal reunião. Não há artigo definido, logo existem apenas as preposições: “de…a”.

OBSERVAÇÃO: Podemos usar essa “dica” em outras situações:
“Trabalhamos de segunda a sexta.” (= de … a …)
“O torneio vai da próxima segunda à sexta-feira.” (= da … à …)
“Leia de cinco a dez páginas por dia.” (= de … a …)
“Leia da página 5 à 10.” (= da … à …)
“Ficou conosco de janeiro a dezembro.” (= de … a …)
“Ficou conosco do meio-dia à meia-noite.” (= do … à …)
“O congresso vai de cinco a quinze de janeiro.” (= de … a …)
“O aumento será de 2% a 5%.” (= de … a …)

Ele está aqui desde as ou às 14h?

O certo é: “Ele está aqui desde as 14h.”
A presença da preposição “desde” significa que não há a preposição “a”, logo não há crase. Temos apenas o artigo definido “as”.
Vejamos outros casos semelhantes: “Após as 18h, as nossas portas estão fechadas.”; “Ele fez o gol com a mão.”; “A reunião ficou para as 16h.”; “Ele teve de comparecer perante a justiça.”

OBSERVAÇÃO – Veja a diferença: “Ela vai à praia” e “Ela vai para a praia”.
No primeiro caso, “ela vai a”, ou seja, “vai e volta, tem hora para voltar”; no segundo, “ela vai para”. Isso quer dizer que “ela não tem hora para voltar, lá sabe Deus se volta”.

Ele ficará aqui até as ou às 18h?

Para muitos gramáticos e professores, é um caso facultativo.
Devido à presença da preposição “até”, prefiro a forma sem o acento grave: “Ele ficará aqui até as 18h.”

OBSERVAÇÃO – O mesmo se aplica no adjunto adverbial de lugar: “Ele foi até a/à praia.” (=”Ele foi até o/ao supermercado”).
Mais uma vez, prefiro a forma sem o acento grave: “Ele foi até a praia.” (=”Ele foi até o supermercado”).

A próxima reunião será a ou à uma hora da tarde?

O certo é: “A próxima reunião será à uma hora da tarde.”
“À uma hora da tarde” é adjunto adverbial de tempo formado por palavra feminina. O acento grave é obrigatório.

OBSERVAÇÃO 1: Não devemos confundir “à uma hora da tarde ou da madrugada” com “a uma hora qualquer”. No primeiro caso, a palavra uma é numeral (= 1h); no segundo, é artigo indefinido.
“Ele chegou à uma hora da tarde.” (=”às 13h”)
“Ele chegou a uma certa hora.” (=”a uma hora qualquer”)
Antes de artigo indefinido é impossível haver crase, pois não teremos o artigo “a” que é definido: “Ele disse que chegaria a uma hora qualquer”; “Referia-se a uma velha história”; “Entregou os documentos a uma secretária”.
OBSERVAÇÃO 2: Em “Todos responderam à uma”, devemos usar o acento grave. “À uma” (=”a uma só voz”) é uma locução adverbial de modo.

Simplicidade e clareza foram usadas pelo www.tradutores.com nestas explicações sobre o uso da crase. Sendo assim, compartilho com vocês este texto que escolhi para esclarecer estas dúvidas constantes de nossa Língua Portuguesa.

FAÇA O USO CORRETO: ATRAVÉS DE ou POR MEIO DE


A locução “através de” empregada com o sentido de “por meio de” é condenada por muitos gramáticos, embora já exista defesa para o uso.

Através de significa por dentro de, de um lado para outro, deixando clara a ideia de atravessar.

Exemplos

A luz que clareava vinha através da janela da sala.

Foi ferida pela bala que entrou através da madeira.

Contemplou o movimento da rua através do vidro do carro.

Para ajudar a entender, perceba que os objetos “janela”, “madeira” e “vidro” não exercem qualquer função prática para facilitar a ação que está ocorrendo. No primeiro caso, a luz é que atravessa por ela, e a janela, passivamente, vê aquele clarão passar, “independente de sua vontade”; no exemplo da madeira, a bala fez pouco caso da madeira, varando do outro lado, atingindo a pessoa; na terceira oração, o olhar não é impedido de captar imagens externas, por ser o vidro transparente.

Em tais exemplos, vê-se o uso correto da locução através de. Quando entendemos por que usamos “através de”, passamos a ter a convicção de nunca usar a expressão “por meio de” para significar “através de”. Vejam os exemplos do uso correto de “por meio de” para não haver confusão:

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Recebeu o orçamento por meio de carta (nunca através);

Reinava com mão de ferro por meio de decretos (jamais através); e

Os telegrafistas se comunicavam por meio do código Morse (não usar através).

Vejam que a “carta”, o “decreto” e o “código Morse” são fundamentais para que a ação se efetue. Eles são os meios sem os quais as ações não se concretizam nos exemplos acima citados.

Professor José Maria Cavalcanti

EM BAIXO, EM CIMA, EMBAIXO

Este emprego parece simples, mas exige uma certa atenção de quem escreve, principalmente.
Antes de mais nada, vamos deixar esclarecida uma dúvida que persiste nas redações de alguns alunos:

Importante!

Encima não existe.

Em baixo só é utilizado se a palavra baixo for adjetivo. Veja os exemplos abaixo:

O trabalho foi feito em baixo relevo.
O diálogo se deu em baixo nível.
Ela canta em baixo tom.
Os deprimidos vivem em baixo astral.
As manobras são feitas em baixa velocidade.

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Para todos os outros casos, utilizamos embaixo e em cima. Tais formas funcionam como advérbio.
Exemplos:

O bilhete foi deixado embaixo do livro.
Em cima da mesa estão seus cadernos.

Professor José Maria Cavalcanti

MODISMO DE PERNAS TORTAS

É comum o uso do ENQUANTO com um significado completamente errôneo. Veja alguns exemplos:

1 – Os rebeldes, enquanto cidadãos líbios, invadiram Trípoli, derrubando o último bastião de Kadafi;

2 – Eles sorriam, enquanto família, pela graça alcançada;

3 – Os primitivos habitantes das cavernas, enquanto seres humanos, inventaram a roda; e

4 – Éder Jofre, enquanto pugilista, defendia os direitos da classe.

Tais erros são sutis, mas não escapam da vista dos mais atentos quanto ao emprego correto do termo.

ENQUANTO deve significar “no tempo em que”, “ao passo que”,por hora” e “ao mesmo tempo”. Veja os exemplos respectivos abaixo:

1 – Enquanto era menino, fazia arruaças na cidade;

2 – A empregada trabalhava, enquanto o patrão descansava na varanda;

3 – Por enquanto, é tudo o que necessito de você; e

4 – Penteava os cabelos, enquanto caminhava.

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Fuja deste modismo ou do suposto neologismo (emprego novo da palavra) para não incorrer em tropeços. ENQUANTO deve ser usada apenas como conjunção subordinativa temporal.

Professor José Maria Cavalcanti

QUANDO FAZER O USO CORRETO DE “PARA MIM” E “PARA EU”

Vamos explicar com exemplos, pois assim fica bem mais fácil captar a aplicação correta:

1 – Para mim, tudo já estava acabado há muito tempo;

2 – O balconista entregou o presente para mim; e

3 – Ela trouxe o trabalho para eu fazer.

Os três exemplos acima estão corretos. As duas primeiras são idênticas, apenas o “para mim” está deslocado, na primeira setença, da posição natural dentro da estrutura da oração. O pronome MIM vem no final da oração (segundo exemplo), diferente do pronome reto EU, que figura como sujeito da terceira oração.

Então é errado dizer:

1 – Veio o serviço todo para mim trabalhar;

2 – Prá mim sair daqui, vai demorar um tempão; e

3 – O patrão falou prá mim fornecer o material pedido pelo cliente.

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Nos três exemplos acima, observamos o uso indevido do pronome MIM, que não deve estar antes de verbo no infinitivo (trabalhar, sair, fornecer), devendo aparecer apenas como um complemento verbal, normalmente no final das orações.

Não se esqueça que o MIM é inimigo de VERBO. Eles odeiam viver um ao lado do outro.

Professor José Maria Cavalcanti

MELHOR OU MAIS BEM – USO CORRETO

Ele está melhor colocado para receber o passe.

Seu apartamento é melhor localizado que o meu.

Isto era melhor aceitado pelas elites da sociedade.

A bacalhoada melhor feita é a de Maria.

Os papéis foram melhor distribuídos para os atores.

Foi o atleta melhor colocado da competição esportiva.

Parece que tudo anda bem com as orações acima. Na verdade, todas estão incorretas, embora sejam incorreções quase imperceptíveis para alguns descuidados.

O correto é escrevê-las da seguinte forma:

Ele está mais bem colocado para receber o passe.

Seu apartamento está mais bem localizado que o meu.

Isto era mais bem aceito pelas elites da sociedade.

A bacalhoada mais bem feita é a de Maria.

Os papéis foram mais bem distribuídos para os atores.

Foi o atleta mais bem colocado da competição esportiva.

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A regra é bem simples, diante de verbos no particípio (colocado, localizado, elegido, prendido) , não se usa o advérbio “melhor” e sim mais bem.

Observação: a regra também se aplica para sentenças negativas. Exemplos:

Ele não foi chamado porque estava pior colocado (errado)

Ele não foi chamado porque estava menos bem colocado (correto).

CONFUSÃO – GÊNERO COM SEXO

Algumas palavras suscitam dúvidas quanto ao gênero a que pertecem. Não é o caso do substantivo mesa, por exemplo,  que é feminino, enquanto que piso é masculino. Podemos descrever uma mesa nos mínimos detalhes, assim como um piso com todas suas características e ainda assim não encontraremos evidências do sexo de cada um. Afinal, eles não necessitam manter relações sexuais, mas ficou convencionado a qual gênero deveria pertencer cada uma das palavras que designam o nome das coisas.
Acontece que nem sempre as palavras que terminam com a letra “a”  pertencem ao gênero feminino. Existem várias palavras terminadas em “a” que são masculinas: o problema, receber um tapa, dar dois telefonemas, duzentos gramas de presunto. E por aí podemos seguir o passeio.
Tal distinção do gênero nos substantivos não possui uma lógica compreensível. Quem determina o gênero é a tradição fixada pelo uso. A comparação com outras línguas, de mesma origem latina, comprova a inconsistência do gênero gramatical: a viagem / el viaje, o sangue / la sangre, a ponte / el puente, o nariz / la nariz, o sal / la sal, o mel / la miel, a árvore / el árbol  (palavras do Espanhol), la sang (sangue no Francês também pertence ao gênero feminino) e aqui poderíamos citar vários outros exemplos.
Com respeito a este tema, algumas dúvidas sempre surgem para os falantes da Língua Portuguesa. Aqui damos algumas dicas:

1a) A palavra personagem é masculino ou feminino?
2a) Qual é o feminino de poeta: a poetisa ou a poeta?
Chamamos de sobrecomuns os nomes de um só gênero gramatical que se aplicam, indistintamente, a homens e a mulheres: o cônjuge, o indivíduo, o sósia, a criança, a pessoa, a vítima etc.
São chamados de comuns de dois os substantivos que têm uma só forma para os dois sexos. A distinção é feita pela anteposição de “o”, para o masculino, e “a”, para o feminino: o/a artista, o/a doente, o/a mártir, o/a jovem.
Na sua origem, personagem era um substantivo sobrecomum do gênero feminino, ou seja, “a personagem” poderia ser usada tanto para a mulher quanto para o homem. Hoje em dia, porém, personagem tornou-se um substantivo comum de dois: a personagem, para mulheres, e o personagem, para homens. O dicionário Houaiss e o Vocabulário Ortográfico da Academia Brasileira de Letras consideram personagem substantivo de dois gêneros, ou seja, o/a personagem.
Quanto ao feminino de poeta, temos uma bela polêmica. Segundo a tradição e os nossos principais dicionários, o feminino de poeta é poetisa. Recentemente, no meio artístico, tornou-se moda distinguir a poetisa (=pessoa do sexo feminino que escreve poesias) de a poeta (=mulher que elabora poesia com reconhecida qualidade literária). Considero esta prática mais um modismo que ainda não tem o respaldo da maioria dos estudiosos e de nossos principais dicionaristas. Confesso que meu ouvido ainda não se acostumou com isso. Não sabemos se essa moda “vai pegar”. Somente o tempo, que é senhor de tudo,  dirá.
Segundo um dos maiores mestres e acadêmicos Evanildo Bechara:
1)    são masculinos: o…clã, champanha, dó, formicida, grama (unidade de massa/peso), milhar, pijama, sósia, telefonema;
2)    são femininos: a…aguardente, alface, análise, bacanal, cal, cólera, dinamite, libido, síndrome, faringe; e
3)    são indiferentemente masculinos ou femininos: o ou a…avestruz, crisma, diabete, gambá, hélice, ordenança, personagem, sabiá, sentinela, soprano, suéter, tapa, trama.

 

USO CORRETO DE MEIA/MEIO


Quando alguém fala: “Estou meia cansada”.

No mesmo instante, minha mente viaja e me vejo contemplando uma velha meia, surrada e esburacada de tanto usar.

É como se a pessoa estivesse dizendo que está tão cansada que está se parecendo com aquela velha meia.

Simplesmente pelo fato de estar falando incorretamente a palavra, que deveria ser MEIO.

Estou meio cansada.

Portanto, devemos compreender que o uso da palavra meia só terá sentido se usada como metade de alguma coisa e sempre concordará com o substantivo a que se refere.

Por isso, dizemos sempre meio-dia e meia ou à meia-noite e meia, pois o primeiro “meio” concorda com a palavra dia ou nome que está acompanhando, e a palavra “meia” se refere a metade de uma hora, que é sempre feminino.

Mas o que nós ouvimos muito o seguinte erro sendo cometido:

Meio dia e meio. (se somarmos duas metades de um dia, resultará em um dia completo, o que não representará a hora que queremos expressar por meio da fala).

SÓ E SOMENTE

Quando surge a dúvida sobre as palavras e somente, vêm logo as perguntas: Elas são sinônimas? Qual a diferença que há entre elas nestas frases abaixo? Qual a classe, qual o sentido e qual a função sintática de cada uma? Vejamos:

É esperto (ou somente) com o irmão.
Vive (ou somente) como criado.
Ela come (ou somente, apenas) batata e clara de ovo.
Quero (ou somente) o seu bem.
Não escolha profissão (ou apenas, somente) pelas vantagens monetárias.

Em todas as frases acima, significa somente ou apenas, e é adjunto adverbial.

Só = sozinho é adjetivo (o adjetivo permite o plural; já o advérbio, não).

Exemplos: Ele vivia só (ou a sós). Significa sem companhia.

Sim, estamos sós sem qualquer direção.

A sós (ou sozinhos) com Deus.

Professor José Maria Cavalcanti

Caro Adriano, respondendo sobre sua dúvida sobre o uso correto dos POR QUE, PORQUE, PORQUÊ e POR QUÊ, tenho que ser humilde e reconhecer que a explicação da minha amiga Dad Squarisi, do Correio do Povo, está perfeita e irá esclarecer todas as suas dúvidas.

Grande abraço!

Certa vez alguém me perguntou sobre o acento circunflexo presente num título de uma revista (“Você tem cheiro de quê?”). O acento é correto, já que esse “quê”, que encerra uma frase interrogativa direta, é emitido tonicamente. Releia a frase: “Você tem cheiro de quê?”. Percebeu? Quando vem no meio da frase, o “que” normalmente é átono, ou seja, fraco, e é emitido por boa parte dos brasileiros como se fosse “qui”: “Quero o que você quiser”. Notou? Quando emitido tonicamente, o “que” é acentuado, por ser monossílabo tônico terminado em “e”. Isso normalmente ocorre quando o “que” encerra a oração.

Há outras situações em que se deve acentuar o “que”, o que ocorre, por exemplo, quando a palavrinha tem valor de substantivo (“Ela tem um quê de magia”) ou de interjeição (“Quê! Vocês por aqui?”).

A pergunta que me fizeram sobre o título da revista me fez lembrar que é imensa a pilha de cartas de leitores que querem saber quando usar “por que”, “porque”, “por quê” e “porquê”. Já tratei do assunto há um bom tempo, mas sempre vale a pena voltar a ele.

Aviso logo que o que vigora no Brasil não vigora em Portugal, quando o assunto é “por que”, “porque” etc. Se você estiver lendo Saramago, por exemplo, esqueça o que verá neste texto. Não me parece que seja o caso de ver agora como se usa isso em Portugal. Esqueça também (e completamente) aquela velha história de que só se escreve “por que” (“separado”, como se diz) quando há ponto de interrogação, e só se escreve “porque” (“junto”, como se diz) quando não há ponto de interrogação.

Posto isso, vamos lá. Há basicamente dois casos em que se usa “por que”. Num deles, pouco comum, temos a equivalência com as expressões “pelo/a qual”, “pelos/as quais”: “São indescritíveis os caminhos por que (= pelos quais) tivemos de passar”; “As teses por que (= pelas quais) luto nem sempre são compreendidas”. No outro caso, o “por que” equivale a “por que razão”, “por qual razão”: “Por que (= por que razão, por qual razão) no Brasil não se consegue criar uma sociedade mais justa e equilibrada?”; “Faço questão de saber por que (= por que razão, por qual razão) você é tão áspero com ela”.

Já o “porque” (“junto”) introduz explicação ou causa do que se afirma: “Não vou porque estou doente”; “Não voto nele porque seus projetos sociais são pífios”.

Como já afirmei, não é a presença (ou a ausência) do ponto de interrogação o que decide se é “junto” ou “separado”. Veja este caso: “Você não foi porque estava doente?”. O que se pergunta não é por que a pessoa estava doente, mas, sim, se a doença foi o motivo, a causa da ausência dessa pessoa. É por isso que, mesmo com ponto de interrogação no fim da frase, esse “porque” é “junto”.

Note que às vezes é justamente a grafia (“junto” ou “separado”) o que decide o sentido da frase: “Ninguém sabe por que ele não explicou”; “Ninguém sabe porque ele não explicou”. No primeiro caso, ninguém sabe por qual razão ele não explicou, ou seja, desconhece-se o motivo de ele não ter explicado. No segundo, muda tudo. O fato de ele não ter explicado é o motivo de ninguém saber, isto é, as pessoas saberiam se ele tivesse explicado; como ele não explicou, continuaram sem saber.

E quando se coloca acento em “por que” e “porque”? É simples. No primeiro caso, basta que a oração termine ali: “Por quê?”; “Ele não vai, e ninguém sabe por quê“. É “separado” porque equivale a “por qual razão” (“Por qual razão?”; “Ele não vai, e ninguém sabe por qual razão/por que razão”); é acentuado pelas mesmas razões que você viu no início do texto, quando da explicação do título da revista (“Você tem cheiro de quê?”).

Para acentuar “porque” (“junto”), é preciso que essa palavra seja substantivo. Nesse caso, normalmente “porquê” acaba sendo sinônimo de “motivo”, “causa”: “Não entendemos o porquê (= motivo, a causa) da demissão do ministro”; “Ele não revelou o porquê (= o motivo, a causa) da renúncia”.

Se você gosta de “curto e grosso”, talvez seja possível resumir a história assim: quando equivale a “pelo/a qual”, “pelos/as quais” ou a “por que razão”, “por qual razão”, grafa-se “por que” (com acento, se a oração terminar ali). Quando não, grafa-se “porque” (com acento, se for substantivo).

Não custa lembrar que é preciso tomar cuidado com o que se vê por aí em cartazes, rótulos, faixas, avisos públicos, textos publicitários etc. Muitas vezes, o que tinha de ser junto vem separado, e o que tinha de ser separado vem junto.


INFINITIVO FLEXIONADO


DÚVIDAS CONSTANTES:

É melhor VIR (infinitivo simples) todos ao banquete.

É melhor VIREM (infinitivo flexionado) todos ao banquete.

Convém IR ou IRMOS ao jogo.

É a vez de eles COMPRAR (infinitivo simples) ou COMPRAREM (infinitivo flexionado) os mantimentos do mês.

Caso 1

Quando o sujeito estiver expresso, o infinitivo concorda com ele. Exemplos:

– É melhor nós irmos logo para garantir os lugares.

– Seria bom eles irem mais cedo para não perder o trem.

– É a vez de eles ganharem a partida, se não não voltam mais.

Caso 2

Quando se refere a um sujeito não expresso que se quer dar a conhecer pela desinência verbal. Exemplos:

– Saíram com a certeza de ALUGAREM o terreno para a nova montadora (aqui o sujeito que foi dado a conhecer é a terceira pessoa do plural eles).

– Saíram com a certeza de ALUGARMOS o terreno para a nova montadora (no segundo caso, o sujeito a ser conhecido é a primeira pessoa do plural nós).

Caso 3

Não é obrigatório quando o sujeito do infinitivo é o mesmo da oração principal. Exemplos:

– Aprontaram todas somente para irritar a mãe.

– Estudaram as leis com o intuito de defender o réu.

– A palavra é a única arma que temos para defender nossa honra.

Caso 4

Nestes exemplos abaixo, percebemos a diferença quando os sujeitos das orações são distintos:

– Levou as armas aos gladiadores para defenderem a cidade.

– A mulher trouxe pão e água para os pedintes no intuito de saciarem a fome e a sede.

– Comprou as sementes para os agricultores providenciarem a semeadura.

Caso 5

Quando entre o sujeito e o infinitivo houver a preposição, então pode-se usar ou não o verbo flexionado no plural. Exemplos:

– Os relatórios foram impressos para guiar/guiarem as reuniões da diretoria.

– Elas trabalhavam sem cobrar/cobrarem nenhum tostão.

– Todos poupavam para se proteger/protegerem da inflação.

Caso 6

Se o complemento do verbo for um substantivo, a flexão é optativa, mas, diante de um pronome oblíquo, ela é proibida.

– Observou os gatos pular/pularem o muro (Observou-os pular o muro).

– O motorista mandou os passageiros sair/saírem. (O motorista os mandou sair).

– Escutou os pássaros ficar/ficarem quietos. (Escutou-os ficar quietos).

Professor: José Maria Cavalcanti

LHE – COMPLEMENTO INDIRETO

Para usar o LHE corretamente, tenho que lembrar para vocês a tal da regência verbal.

Alguns verbos exigem uma preposição depois dele; outros,não.

Exemplos tirados de sucessos musicais:

Transição indireta: “Preciso de você, estou cansado de sofrer…”( Raça Negra). Não se diz “Preciso você, estou…”.

Transição direta (sem preposição): “Quero você, quero você todinha pra mim…” (Carlos Santos e Grupo Herança). Não se diz “Quero a você…”.

Transição dupla, direta e indireta: “Receba as flores que eu lhe dou…” (Nilton César e Sidney Magal). O verbo “receber” exige um complemento direto, as flores, e um indireto “lhe dou”, isto é, “que dou a você”.

O porquê disso é que a informação do verbo estaria incompleta sem os dois complementos.

Como os pronomes pessoais ELE e ELA são usados para indicar o sujeito, não podemos usá-los em redação como complemento verbal. Para isto, temos:

Complementos verbais indiretos: lhe e lhes; e

Complementos verbais diretos: o, a, os e as.

“Diz a ela que me viu chorar…” (Tim Maia). O verbo dizer pede dois complementos: um direto e outro indireto.

Diga-lhe que estou só. O LHE é o objeto indireto, que significa “a ela”; e “que estou só” é o objeto direto.

ATENÇÃO: é errado usar os pronomes que foram criados para desempenhar o papel de sujeito no lugar de complemento.

Exemplos:

Trouxe ela na minha presença (errado). O certo é: Trouxe-a na minha presença.

Ganhei ela no primeiro encontro (errado). O certo é: Ganhei-a no primeiro encontro.

No dia a dia, falamos erradamente, mas não façam isso nos concursos ou textos que exijam a norma culta da nossa Língua Portuguesa.

Como vimos, o LHE é usado para substituir a ele, a ela ou a você, após verbos de regência indireta.

Professor José Maria Cavalcanti

 Para quem quiser escutar dois dos sucessos musicais, veja nos vídeos abaixo:

Estou Mal – Raça Negra

A namorada que sonhei – Nilton César

COLETIVO – VERBO NO SINGULAR

Um milhão (muitíssimas unidades), uma colmeia (muitas abelhas) ou uma frota ( muitos caminhões).

Repare nos artigos:

UM – masculino; e

UMA (feminino).

Meu amigo, com o artigo antes, não dá pra errar!

UM ou UMA não estão no plural, embora muita gente boa ache que sim!

Mesmo que a palavra milhão dê ideia de muitas coisas, trata-se de um substantivo coletivo. Tais palavras, no coletivo, existem para dar ideia de muitos, assim como “colmeia” (muitas abelhas) e “frota” (muitos caminhões).

Então vamos combinar: um milhão exige o verbo no singular, jamais no plural.

Exemplo:

Um milhão de eleitores se manifestou após o recolhimento das urnas.

A cada minuto, quase um milhão de latas de cerveja é reciclado em cada máquina.

Vejam a notícia absurda que circulou em um jornal de São Paulo:

A cidade de São Paulo é conhecida por sua rica gastronomia. Mas a vedete é a pizza. “São devoradas” mais de 1 milhão de unidades por dia.

Obs.: na expressão “mais de + numeral”, o verbo concorda com o numeral “um ou 1”. No caso acima, deveria ficar no singular.

Exceção: Mais de um aluno se abraçaram (neste caso, existe a ação de reciprocidade, isto é, os dois praticam a ação de abraçar, levando o verbo ao plural).

Tal erro salta aos olhos, é gritante. Não devemos esperar muito de um jornalista desse nível. Talvez ele considere correto escrever assim:

A mesma corja de bandidos assaltaram o mercadinho (o certo é “assaltou“).

Uma multidão de pedintes avançaram na comida como verdadeiros animais (o correto é “avançou“).

Curiosidade:

O coletivo para reunião de pessoas – (em geral) aglomeração, banda, bando, gente, legião, leva, massa, multidão, pessoal, roda, tropel, turba, turma; (quando reles) corja, caterva, choldra, farândola, récua, súcia; (quando em serviço, em navio ou avião) tripulação; (quando em acompanhamento solene) comitiva, cortejo, préstito, procissão, séquito; (quando ilustres) plêiade, pugilo, punhado; (quando em promiscuidade) cortiço; (quando em passeio) caravana; (quando em assembleia popular) comício; (quando reunidas para tratar de um assunto) comissão, conselho, congresso, conclave, convênio, corporação, seminário; e (quando sujeitas ao mesmo estatuto) agremiação, associação, centro, clube, grêmio, liga, sindicato, sociedade.

 Exemplos:

O pessoal chegaram atrasado (errado) – O pessoal chegou atrasado (correto); e

Um punhado de ignorantes batiam em suas mulheres (errado) – Um punhado de ignorantes batia em suas mulheres (certo).

A gente vamos tirar de letra (errado) – A gente vai tirar de letra (certo).

LOCUÇÕES VERBAIS COM CRASE


à altura (de), à americana, à baiana, à baila, à bala, à base de, à beça, à beira (de), à beira-mar, à beira-rio, à boca pequena, à brasileira, à bruta, à busca (de), à cabeceira (de), à caça de, à carga, à cata (de), à chave, à conta (de), à cunha, à custa (de), à deriva, à direita, à disparada, à disposição, à entrada (de), à escolha (de), à escovinha, à escuta, à espada, à espera (de), à espreita (de), à esquerda, à evidência, à exaustão, à exceção de, à faca, à falta de, à fantasia, à farta, à feição (de), à flor da pele, à flor de, à fome, à força (de), à francesa, à frente (de), à fresca, à gaúcha, à grande, à guisa de, à imitação de, à inglesa, à italiana, à janela, à japonesa, à larga, à livre escolha, à [moda] Luís XV, à luz, à maneira de, à mão armada, à mão direita, à mão esquerda, à máquina, à margem (de), à marinheira, à matroca, à medida que, à meia-noite, à mercê de, à mesa, à mesma hora, à mexicana, à milanesa, à mineira, à míngua (de), à minha disposição, à minha espera, à minuta, à moda (de), à moderna, à morte, à mostra, à navalha, à noite, à noitinha, à nossa disposição, à nossa espera, à ocidental, à ordem, à oriental, à paisana, à parte, à passarinho, à paulista, à ponta de espada, à porta, à portuguesa, à praia, à pressa, à prestação, à primeira vista, à procura (de), à proporção que, à prova, à prova d’água, à prova de fogo, à pururuca, à que (= àquela que), àquela hora, àquelas horas, àquele dia, àqueles dias, àqueloutros(s), àqueloutra(s), à queima-roupa, à raiz de, à razão (de), à ré, à rédea curta, à retaguarda, à revelia (de), à risca, à roda (de), à saciedade, à saída, às apalpadelas, às armas!, à saúde de, às ave-marias, às avessas, às bandeiras despregadas, às barbas de, às boas, às cambalhotas, às carradas, às catorze (horas), às cegas, às centenas, às cinco (horas), às claras, às costas, às dez (horas), às dezenas, às direitas, à distância de, às doze (horas), às duas (horas), às dúzias, à semelhança de, às encobertas, às escâncaras, às escondidas, às esquerdas, às expensas de, às falas, às favas, às gargalhadas, às lágrimas, às léguas, às mancheias, às margens de, às marteladas, às mil maravilhas, às moscas, às nove (horas), às nuvens, à socapa, às oito (horas), à solta, à sombra (de), às onze (horas), às ordens (de), à sorrelfa, à sorte, à sós, às portas de, às pressas, às quais, às que (= àquelas que), às quartas-feiras, às quatro (horas), às quintas-feiras, às quinze (horas), às segundas-feiras, às seis (horas), às sete (horas), às sextas-feiras, às sete (horas), às soltas, às suas ordens, às tantas, às terças-feiras, às tontas, às três (horas), às turras, à sua disposição, à sua escolha, à sua espera, à sua maneira, à sua moda, à sua saúde, às últimas, à superfície (de), às vésperas (de), às vezes, às vinte horas, às vistas de, às voltas com, à tarde, à tardinha, à testa (de), à tinta, à toa, à-toa, à traição, à tripa forra, à última hora, à uma (hora), à unha, à vaca-fria, à valentona, à venda, à virgem, à vista (de), à vista desarmada, à vista disso, à volta (de), à vontade, à vossa disposição, à zero hora, bater à porta, beber à saúde de, condenado à morte, dar à estampa, dar à luz, dar a mão à palmatória (= reconhecer o erro), dar tratos à bola (= esforçar-se para fazer algo), dar vazão à, descer à sepultura, de uma ponta à outra, exceção à regra, falar à razão, faltar à aula, graças às, ir à bancarrota, ir à forra, ir às compras, ir às do cabo, ir às nuvens, ir às urnas, jogar às feras, mandar às favas, mãos à obra, marcha à ré, nem tanto ao mar, nem tanto à terra, passar à frente, pôr à mostra, pôr à prova, pôr às mãos à cabeça, pôr fim à vida, quanto às, recorrer à polícia, reduzir à expressão mais simples, sair à rua, saltar à vista, tirar à sorte, uma à outra, umas às outras, voltar à carga, voltar à cena e voltar às boas.