Questão de Matemática

DEU A LOUCA NO NALDINHO

Os primeiros minutos daquela madrugada foram de susto. Naldinho, sem se dar conta se Lurdinha estaria ou não acordada, foi logo mandando essa:

- Lurdinha, acho que tô ficando louco! Gritou Naldinho lá debaixo dos cobertores.

- Que é isso, homem, por que você tá assim? Pergunta Lurdinha, inconformada com aquela afirmativa incabível e por ver o marido se apertando debaixo do cobertor.

- Isto começou depois que conversei com o cego Aderaldo. Ele me disse que gastava quase uma hora caminhando da casa dele até o centro. Como imaginei o número de calçadas das muitas ruas movimentadas, carros passando e um montão de obstáculos a vencer, indaguei para ele como ele conseguia aquilo. Ele me respondeu:

“- Simples, tudo é uma questão de Matemática!”

- Mas Naldinho, e porque você encasquetou com isso?

- Seria melhor se ele não houvesse falado aquilo ou dissesse qualquer outra coisa. Lurdinha, aquelas palavras passaram a me incomodar até agora.

- Você poderia explicar melhor, pois estou ficando preocupada!

- Lurdinha, tá vendo este escurinho do quarto, pois bem, aqui debaixo do cobertor a escuridão é praticamente total. Assim vive Aderaldo! Captou?

- E aí, Naldinho? O que que a gente pode fazer se o destino lhe foi desfavorável!

- Lurdinha, você não tá entendendo, o cara vai contando quantos passos ele dá até chegar na primeira esquina. Depois conta outro tanto para cruzar a rua, quando percebe que os carros pararam. Isto ele sabe pelo ronco diferente do motor e o cheiro de borracha dos freios.

- Não tinha parado pra pensar nisso!

- E tem mais, ele está sempre imitando o canto de um pássaro, lembra? Isto tem a ver com cada trajeto. A cada percurso, o número de notas e a música da ave mudam. Ele associa cada itinerário com uma sequência sonora.

- Tá brincando?

- É sério, Lurdinha. Claro que ele foi desenvolvendo o processo aos poucos, com alguns erros e tropeços no início, mas hoje o faz com a maior tranqüilidade, usando apenas a bengala como guia.

- Lurdinha, graças a esse jeito alegre de ser, ele sempre arranjou o sustento para sua mulher e filho. Ninguém consegue negar a ele uma graninha aqui e outra acolá.

- Naldinho, pelo que vejo, ele vive melhor que muita gente, mas agora é hora de você acordar para dar um basta nessa loucura!

- Lurdinha, essa mania de me colocar no lugar do outro é que quase pirei, pensando em uma vida no escuro e cálculos matemáticos.

- Mas Naldinho, tudo na vida é feito baseado em números, desde as pirâmides do Egito ou prédios como o Empire States, a torre Freedom ou o majestoso  Burj Dubai. O mundo está banhado em números. Quando se fala em eleição, na verdade é apenas uma corrida de números; quando se debate a inflação, dados estatísticos que retratam escaladas de preços começam a surgir como informações comprovativas. Quando o assunto é superpopulação, onde o foco é a explosão demográfica, sociólogos trazem à baila suas tabelas numéricas para provar A + B. Os jornais enchem suas páginas com os números de mortos, acidentes nas estradas, roubos, assassinatos, sequestros-relâmpago e a coisa por aí vai.

E Lurdinha se empolga e descamba a falar, relembrando-se talvez das excelentes aulas que ela recebeu do apaixonante professor Ptolomeu.

- Tem mais, Naldinho, a Matemática tá em todo lugar. Ela está nos códigos de barras dos produtos e nos registros de quase todas as profissões, e tudo expresso por meio de sua simbologia única, que é uma linguagem universal.

Nisso, Naldinho, sem aviso prévio, aciona o interruptor. Talvez com dois propósitos: o primeiro para trazer luz à escuridão que ele estava; e o segundo, para brecar a fala desenfreada de Lurdinha.

Acho que ele só atingiu o primeiro alvo, pois Lurdinha seguia firme:

- Naldinho, tenho certeza que tudo isso ocorreu com você tem tudo a ver com essa sua mania de ficar jogando xadrez às cegas. O que você quer provar com isso se nem mesmo há competição sem ver o tabuleiro…

- Lurdinha, você realmente tocou no cerne da questão. Por falar nisso, lembrei-me quando perguntaram a um grande mestre como ele fazia para jogar tantas partidas simultâneas às cegas, ele simplesmente explicou: “Eu associo tudo com uma grande cômoda com suas muitas gavetas numeradas. Em cada uma delas eu deposito um tabuleiro, assim, ao chegar com os olhos vendados diante da mesa de cada adversário, abro a gavetinha correspondente, visualizo o posicionamento das peças e depois de conceituar o que vejo, faço a jogada mais correta com o que exige a posição.”

- Lurdinha, quando jogo às cegas, vejo-me como o Aderaldo ou como tantos grandes jogadores do passado, tais como Alekhine, que jogou contra 29 jogadores ao mesmo tempo ou como Najdorf, que bateu o recorde mundial, ao jogar contra 45 adversários, e até mesmo com o nosso querido Hélder Câmara, que jogou contra 12, tendo o recorde nacional; já Kasparov e Morphy só aguentaram jogar contra 8, Capablanca e Karpov somente contra 4.

- Pode parar, Naldinho, senão vai acabar falando de Philidores e Zukertortes da vida. O que você disse só vem a confirmar que todos os jogos passam pela Matemática. A lenda da origem do xadrez poderia ser uma prova. Ela narra o baile que o sábio da corte deu no seu rei, quando ele ofereceu o que ele quisesse ganhar como prêmio por criar o jogo do reis. Depois de um cálculo matemático proposto, o rei ganhou uma lição extra: ele se deu conta que não era tão poderoso quanto parecia ser pela impotência de não poder pagar seu débito ao sábio.

- Acho que você tem razão, Lurdinha, e talvez seja por isso que eu ainda não desisti do xadrez às cegas. Quero ter meu nome inscrito nas tábuas da história.

- Que ideia, e o que você quer provar com isso, Naldinho?

- Meu único propósito é querer bater o Fischer, que nunca jogou uma única partida às cegas e o outro é conseguir a fórmula secreta para fazer o cavalo percorrer as 64 casas do tabuleiro, passando uma única vez por cada uma delas, sem repetir a quadrícula. Isto tem sido uma dor de cabeça pra muita gente, durante centenas de anos. Você pode não acreditar, Lurdinha, mas estou muito perto da solução.

- Naldinho, não leva a mal não, mas bater o genial Fischer depois de morto talvez seja uma moleza, mas descobrir esta tal fórmula secreta, aí, meu querido, você teria que ser como  Euler ou Malba Tahan, que foram excelentes matemáticos e não apenas um enxadrista de beira de piscina!

E aquele debate intelectual acabou com a fala enfezada de Naldinho:

- Tá bom, Lurdinha, não precisa xingar. Já vou tomar meu banho, pois tenho aula mais cedo, assim ganho bem mais.

Autor José Maria Cavalcanti

Casamento

CURIOSIDADES SOBRE O CASAMENTO

1. De acordo com a tradição Hindu, chover no dia do casamento é considerado um sinal de sorte.

2. No Japão, o casal de noivos bebe 9 goles de sake, tornando-se marido e mulher a partir do primeiro gole.

3. Na Índia, o irmão do noivo joga flores sobre o casal no fim da cerimônia para os proteger do mal.

4. Na China, a cor do amor é o vermelho e, durante a cerimônia do casamento, o casal bebe vinho com mel com dois copos atados por uma fita vermelha.

5. Na Alemanha, a noiva transporta o sal e pão no seu bolso para assegurar recompensa, e o noivo transporta grãos de cereais para dar saúde e sorte.

6. Na Turquia, antes de a noiva sair da igreja, pede as suas amigas solteiras para escreverem os seus nomes na sola dos seus sapatos. Depois da noite de dança, a tradição dita que a assinatura da pessoa que estiver mais gasta será a próxima pessoa a casar.

7. Para adoçar a união, as noivas devem colocar um pouco de açúcar dentro de suas luvas.

8. Os ingleses acreditam que se a noiva encontrar uma aranha no vestido de casamento esta trará sorte ao casamento.

9. Na Holanda, planta-se um pinheiro fora da casa dos recém-casados como símbolo de fertilidade e sorte.

10. O noivo leva a noiva no colo pela porta de sua nova casa para a proteger dos espíritos maus que estão à espreita no chão da porta.

11. De acordo com o folclore inglês, o sábado é considerado o dia mais azarento, o que acaba por ter uma certa graça, visto ser o dia mais procurado e popular para se casar.

12. No Egito, para dar boa sorte às mulheres egípcias, as amigas beliscam a noiva no dia do casamento.

13. Já no Oriente Médio, as noivas pintam motivos henna nas mãos e nos pés para as proteger do mau olhado.

14. Uma noiva sueca costuma colocar uma moeda de prata, oferecida pelo seu pai, e uma moeda de ouro, oferecida pela sua mãe, em cada sapato, assegurando que ela nunca passará sem eles.

15. Na África do Sul, os pais da noiva e do noivo, ambos, transportam fogo, simbolizando a passagem do fogo dos seus corações para acender o fogo dos corações dos recém-casados.

16. Existe uma tradição que diz que a noiva não deve cozinhar o seu bolo de casamento.

17. No Japão, o branco foi utilizado para as noivas muito antes de a Rainha Victoria o ter popularizado no mundo ocidental.

18. A tradição de usar damas de honra no casamento remonta ao tempo dos romanos. As testemunhas, ou damas de honras exigidas num casamento romano, protegiam a noiva, vestindo-se de maneira semelhante à noiva, enganando assim os maus espíritos, impedindo-os de reconhecerem a noiva.

19. As mulheres marroquinas tomam um banho de leite para se purificarem antes da cerimônia do casamento.

20. A tradição do bolo de casamento remonta à antiga Roma, onde na cerimônia de casamento se partia um pedaço de pão sobre a cabeça da noiva para o bem da fertilidade.

21. As alianças de casamento e de compromisso são usadas no quarto dedo porque antes no Egito se pensava que uma veia nesse dedo estava diretamente ligada ao coração.

22. Diamantes sobre ouro ou prata ficaram muito populares para formalizar um compromisso, devido aos ricos venezianos o terem feito, do início do século dezesseis.

23. Na linguagem simbólica das joias, uma safira num anel de noivado significa felicidade conjugal. As pérolas para anel de noivado estão associadas à má sorte, porque a sua forma lembra uma lágrima.

24. A pedra aquamarine, símbolo de honestidade e lealdade, representa harmonia marital e representa um casamento longo e feliz.

25. A tradição ocidental do vestido branco foi iniciada em 1840 na Inglaterra pela Rainha Victoria, no seu casamento com o príncipe Alberto.

26. Na Dinamarca, as noivas e os noivos tradicionalmente trocam as roupas um com o outro para confundir os maus espíritos.

27. As despedidas de solteiro foram originadas pelos soldados espartanos, que se despediam dos seus dias de solteiro com uma festa desconcertante.

28. Em Portugal, o típico vestido de casamento, antes do século vinte, era tradicionalmente preto.

29. A tradição do véu da noiva teve início com os antigos gregos e romanos, que pensavam que o véu protegia a noiva dos infortúnios e dos maus espíritos.

30. No Egito, a família da noiva, durante a primeira semana de casados, encarrega-se de cozinhar para os noivos, para que o casal possa desfrutar o início do casamento.

31. O tradicional bolo de casamento empilhado partiu de um jogo, onde a noiva e o noivo tentavam se beijar por cima de um bolo, que se tornava cada vez maior, tentando não o derrubar.

32. A expressão “dar o nó” vem de antigas tradições relativas aos casamentos egípcios e hindus, onde as mãos da noiva e do noivo são literalmente atadas, demonstrando o seu laço de união.

33. A noiva se coloca do lado esquerdo do noivo durante a cerimônia do casamento, porque antigamente o noivo necessitava da mão direita livre para lutar com os seus concorrentes.

34. Na tradição católica, originalmente se usava anunciar o casamento, proclamando-se a intenção dos noivos para assegurar que estes não eram da mesma família.

35. A popularidade dos casamentos em Junho descende de Juno, a esposa de Júpiter, que era a deusa do casamento, nascimento e do coração.

Fonte:  http://www.veronicas.com.br/blog/2009/04/curiosidades-sobre-casamento-no-mundo/

Rock – Rita Lee

Rita Lee, cantora brasileira poliglota, vinda de uma mescla de pai americano com mãe italiana, já foi imitada, aclamada e copiada 60 milhões de vezes em cinco décadas de sucesso.

No palco, a camaleoa é sempre uma festa de arromba, e o seu público enlouquece, contagiado por seu agito e suas letras irreverentes.

Sua música frenética transita por vários gêneros, num hibridismo envolvente, oriunda de fontes como o tropicalismo, o pop rock e a música Latina.

Seu segredo é uma loucura gostosa, com sabor tuttifrutti. No fundo ela é uma mutante, pioneira do lado de cá, vive vibrante como um solo de guitarra, a reinar não como corista, mas como a rainha do rock brasileiro.

Em 1976, a ovelha negra,  lançou perfume ou quiçá um feitiço sobre o bom moço, Roberto de Carvalho. E esse pega-rapaz fez perdurar uma parceria musical/amorosa que se configura pra toda vida.

A coisa virou caso sério, movida pelo vírus do amor. Logo essa mania por Rita fez Roberto chamá-la para um baila comigo, numa banheira de espuma.

Ela o enlaçou e, tocando o maior auê no balacobaco, a Leeoa fez com Roberto o fruto nada proibido: Betinho, numa festinha particular. Pena que não teve flagra!

Viveu uma vida exibida e agora é moda, sentindo-se feliz ao lado do seu gato como uma miss Brasil nos jardins de Sampa ou quem sabe da Babilônia, adornada de bem-me-quer.

Hoje, deixou o corre-corre e está mais tranquila. Como doce vampiro, já sem seus domingos no parque da Vila Mariana, ela só quer curtir os futuros netinhos, ao lado do seu amado, que sempre diz:

- Rita, você é minha “favoRITA”!

Autor José Maria Cavalcanti

Análise da Letra da Música Flagra, de Rita Lee e Roberto de Carvalho

“FLAGRA”

No escurinho do cinema

Chupando drops de anis

Longe de qualquer problema

Perto de um final feliz…

Se a Déborah Kerr que o Gregory Peck

Não vou bancar o santinho, não!

Minha garota é Mae West

Eu sou o Sheik Valentino..

Mas de repente o filme pifou

E a turma toda logo vaiou

Acenderam as luzes, cruzes!

Que Flagra! Que Flagra! Que Flagra!

Uauauauauá! Larará! Larará…

Sei que o maior sucesso da Rita são as músicas Doce Vampiro e Ovelha Negra, mas Flagra não fica muito atrás. Ela começou a falar de vampiros antes que a mistura de lobo e homem, aquelas criaturas monstruosas e peludas, se tornassem uma febre entre os jovens. Talvez tenha sido por isso e outros gostos exóticos que seus pais a considereravam uma “ovelha negra”.

Com a música Flagra, Rita e Roberto fazem uma homenagem às nossas tardes de domingo no cinema, quando íamos curtir os sucessos das películas americanas na década de 1960.

As salas de cinema eram um ambiente de fuga. Escape do mundo lá fora, da vigilância dos pais e das regras sociais. Ali parecia que tudo era possível, acabando sempre com final feliz.

Entre uma guloseima e outra, normalmente drops de anis, mal começavam a correr os créditos na telona, já se iniciava a sessão das carícias e beijos entre os jovens enamorados.

As produções eram muitas vezes estreadas pelo inesquecível símbolo sexual ítalo-americano Rodolfo Valentino ou da linda Mary Jane West ou Mae West. E quem não se recorda dos romances entre o galã Gregory Peck e Déborah Kerr, a qual esbanjava uma beleza inebriante.

Os dois acabavam sempre juntos, e os casaizinhos, agarradinhos na proteção do véu escuro, só se desgrudavam quando o lanterninha pedia um tempo ou havia o rompimento da fita do rolo do filme.

As luzes se acendiam, e aí tudo se revelava: QUE FLAGRA!

Isto remete ao clássico filme Cinema Paradiso, que foi considerado uma declaração de amor feita ao cinema pelo diretor Giuseppe Tornatore. A cena final do filme, musicada magistralmente por Ennio Morricone, exibe a edição de todos os beijos que foram cortados pela censura. Uma espécie de flagra daquilo que todos foram impossibilitados de ver no tempo oportuno.

Autor José Maria Cavalcanti

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Agradecimentos

SABER AGRADECER É TUDO DE BOM!

É comum se escutar “fui agradecê-lo…” ou “agradeci pelo convite”. Embora seja de uso corriqueiro, tais expressões estão incorretas, pois o verbo AGRADECER exige duplo complemento: um transito direto (o que você agradece) e outro indireto (a quem você vai agradecer).

Exemplo:

Agradeço-lhe o convite, isto é, agradeço a ele (complemento indireto)  o convite  (complemento direto).

Observação: o verbo AGRADECER é semelhante ao verbo INFORMAR.

Veja bem, quem informa, informa alguma coisa (objeto direto) a alguém (objeto indireto).

Exemplo:

A professora informou a reunião (objeto direto)  aos pais do aluno (objeto indireto).

A professora informou eles da reunião (ERRO TERRÍVEL!)

Também o verbo PAGAR exige dois complementos.

Exemplo:

O bom moço pagou sua conta (objeto direto) ao comerciante (objeto indireto) da farmácia.

São maneiras incorretas de falar

Exemplos:

1 – Eu informei ele sobre os acontecimentos (ERRADO)

O correto é:

Eu lhe informei os acontecimentos.

2 – Eu paguei ele pelo que devia (ERRADO).

O correto é:

Eu lhe paguei o que devia.

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Canto da Manhã

CANTAR DE GALO

Por entre os galhos dos frondosos sapotizeiros do quintal, um sol reluzente começava a despontar, embelezando a linda manhã primaveril, dando a ela luz e cor típicas do Seridó.

No chão, as imagens retorcidas se projetavam em volta dos limoeiros e dos tabuleiros das hortaliças, talvez rabiscos delineados a nanquim naquele quadro surreal.

No terreiro, folhas salpicadas de um restinho de orvalho forravam o chão. Entre galinhas e pintinhos amarelinhos, o galo ciscava alvoroçado, sacudindo suas plumagens multicoloridas, à procura das minúsculas sobras da última ração.

Faltando menos de dois quartos de hora para seis da manhã, Dourado irrompeu o silêncio matutino no mais estridente canto, não sem antes abrir as asas e bater forte, estufando o peito para o alto, ao encontro da vermelha crista eriçada.

Aquele canto não era somente para anunciar que estava bem vivo e uma forma antiga de estabelecer controle sobre o território, tinha também uma dupla função. Uma era mostrar para os desafiantes quem mandava no pedaço e a outra, desconfio, pra tirar da cama aqueles que logo iniciariam suas funções matinais.

Ao ouvir o belo canto, o doutor já desperto deu pressas aos atos que antecediam o banho e, num lapso de tempo, estava dentro das roupas brancas, já barbeado e asseado, pronto para mais um dia na sala de partos do Hospital de Currais Novos.

Não sairia sem antes olhar os lindos espécimes que sempre ganhava de presente. Os pacientes, sabedores da atração do médico por galos, logo espalharam a notícia, e já ninguém o presenteava com patos, perus ou barras de queijo de qualho. O negócio era galo, e galo bonito e cantador.

Após um rápido desjejum, o fã dos galináceos ia até a grande gaiola das prendas para soltar aquele que ele julgava fazer frente ao macho do terreiro. Arrastou para fora o intrépido e impetuoso Espora Negra, que saiu ligeiro e destemido, correndo para cima de Dourado. Os dois giravam, medindo força, enquanto as galinhas fugiam daquela espécie de rinha improvisada.

E de pronto, um novo canto ecoou pelos ares da vizinhança, era o novo candidato querendo afrontar e fazer bonito, principalmente para as fêmeas poedeiras e àquelas que se protegiam e aninhavam os filhotes sob suas enormes asas.

Quando Dourado partiu para dar uma lição no intruso, o doutor atalhou com a mão a briga, antes que se desse um embate mortal em busca de liderança, domínio e sobrevivência. Tratou de acalmar os ânimos dos dois, pois seu objeto de interesse estava focado no canto.

Não bastou aquele esforço e tampouco os rodopios em torno das fêmeas, o especialista estava presente para avaliar qual deles permaneceria reinando e procriando por ali. Era a beleza e também a intensidade do canto que apontaria o vencedor.

O doutor sabia que um canto de qualidade teria que seguir alguns requisitos: ser forte, repetitivo e longo, com duração em média de 30 segundos. Tudo isso se fazia acompanhar de uma postura característica do macho do terreiro. O galo não só primeiro projeta seu corpo e abre as asas, com o olhar fito no horizonte, exibe suas pupilas dilatadas, a língua vibra sulcada, a crista e as barbatanas ficam protuberantes e bem avermelhadas. O som percorre pela garganta esticada, escapando pelo bico do animal, repercutindo por toda a vizinhança adormecida. No finalzinho do canto, o animal vai baixando a cabeça até o bico atingir o solo, suspirando um inconfundível: “- Ohhhhhhhhhh!”.

Como Espora Negra não cumpriu todos os requisitos exigidos, dançou. Dourado continuaria mais um dia no comando, enquanto o Espora Negra teria destino certo: a panela.

Sem perder tempo, virou o galo de cabeça pra baixo até deixá-lo grogue, depois, com um golpe certeiro, o doutor destroncou o pescoço do desafiante, entregando-o para a cozinheira para se tornar o item principal do seu próximo almoço.

Despediu-se e seguiu para trabalhar. Naquele dia, um paciente indagou para ele sobre o porquê daquela obsessão por galos, o doutor pacientemente explicou com riqueza de detalhes:

- Como todos vocês, cresci escutando, nos quintais dos arredores de minha casa, o canto do galo, que considero uma das coisas mais belas da natureza. É coisa antiga do passado, talvez um mover de memórias da infância, oriundas de um bairro de periferia. E essa paixão me seguiu pela vida adulta, mais ainda depois que meus pais foram morar numa grande área arborizada, com fruteiras, plantação de macaxeira e criações. Por entre os pomares, era comum eu ver os madrugadores empenados, cantando bonito, ao lado do seu harém e em torno de suas crias.

Assim se explicava com orgulho o doutor, essa sua mania por galos, espécie trazida ao Brasil pelas primeiras caravelas portuguesas que aqui aportaram.

Os dias se passavam, e aquela sua rotina se perpetuava.

Quando já não havia mais desafiantes para Dourado, depois de superar os adversários que se apresentavam, a bela ave seguia orgulhosa e parecia exibir com seu porte altivo o recorde inigualável de vitórias.

Mas aquele cenário estava por mudar com a necessidade do seu dono comprar uma clínica ampla numas das avenidas principais da “Princesa do Seridó”. Este fato novo também iria causar uma grande mudança na apreciação do doutor pelos galináceos. Na extensão do novo local particular de trabalho, havia também uma grande casa, com um apartamento e garagem coberta nos fundos.

Depois de fazer a mudança é que o doutor se deu conta que ali não existia quintal. Aquilo foi sua maior tristeza, pois já não poderia seguir com Dourado e suas crias.

Não tendo coragem de mandar Dourado para a panela, deu o companheiro de inúmeras manhãs para um amigo que morava em algum lugar ali por perto, assim como as demais aves.

E as manhãs seguiam sem graça sem ele poder nutrir aquela paixão. Mesmo assim, quando dos seus amanheceres vazios, o doutor parecia ainda ouvir o canto de Dourado em algum quintal, no exato instante que seu predileto emitia o inconfundível toque.

E o saudoso doutor desconfia que ele passou a cantar mais alto somente para que ele pudesse de longe escutar.

Autor José Maria Cavalcanti

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Bate boca e Vale tudo

HÍFEN SIM – O CORRETO É BATE-BOCA E VALE-TUDO

Estas palavras pertencem à classe dos substantivos, no caso, os substantivos compostos, ligados por hífen.

Li, recentemente, a seguinte frase de um dos canais de comunicação:

“Na confusão da apuração de votos do Carnaval de São Paulo, o bate boca chegou ao fim.”

E outra:

“Nas licitações do Rio de Janeiro, tudo pode, é um vale tudo.”

Vejam que, nos dois exemplos, são cometidos os dois erros por jornalistas e redatores de jornais de São Paulo e do Rio de Janeiro. Isto porque, após a matéria ser entregue para edição, a pauta passa pelas mãos dos revisores, o que torna a coisa mais grave.

O certo é escrever “bate-boca” e “vale-tudo”, pois são substantivos compostos.

ATENÇÃO!

Nas orações abaixo, não existe erro, embora as duas palavrinhas venham juntas. Saiba o porquê.

1 – Escutei a vizinha num quebra-pau danado com o marido. Ela quebra pau e bate boca sempre que ele chega tarde em casa.

2 – Em briga de marido e mulher vale tudo.

Perceberam a diferença? Nos casos acima citados, praticados pela imprensa, as palavras “bate-boca” e “vale-tudo” vieram antecedidas de um artigo, caracterizando a classe dos substantivos. Nos exemplos seguintes, “bate boca” não é um substantivo. Boca é complemento verbal do verbo bater. Ela bate o quê? Resposta: boca. Também o outro exemplo: “Em briga de marido e mulher vale o quê? Reposta: tudo.

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Livro

SEGREDO DOS LIVROS

Aproveitando-se de uma ausência dos pais, Sara e Gabriel começam a falar a respeito do querido avô que haviam perdido há pouco, por estar já bem velhinho.

Sara, de dezesseis anos, disse para o Gabriel, de doze:

Você sabia que o vovô sempre deixava algum dinheiro escondido nos livros de sua biblioteca para que eu procurasse?

- Ué, e por que ele já não dava diretamente na sua mão?

- Se liga, Biel, ele queria que eu pegasse o bichinho dos livros, assim, como ele amava cada um daqueles exemplares raros de sua coleção, eu também passaria a ter o mesmo gosto dele. A condição era a de não derrubar ou danificar as páginas.

- Eu não sabia que livros tinham bichinhos, mas achar a grana parecia moleza, não?

- Não era tão simples assim. A página que tava a nota deveria ser lida e decorada, e algo dela eu tinha de guardar para as perguntinhas que ele sempre fazia.

- Ah, agora entendi essa sua mania de ler tudo e ter mil histórias na cabeça… Vive por aí no mundo da lua, e os olhos presos nos cartazes e propagandas. E eu que achava que era por causa da sopa de letrinhas que você tomava.

- Mas… Sara, pensando bem, será que não tem mais grana por aí?

- Biel, o pior é que ele deixou muito dinheiro num pequeno baú para quem descobrir o  enigma que eu encontrei num livro antigo, chamado Atlântida – Diálogos de Platão.

- Plá o quê? Esse cara não tinha um nominho mais bonito, não?

- Mostre-me logo esse enigma, Sara!

Enquanto tentava entender o enigma, Gabriel tropeça num dos livros.

- Biel, cuidado com os livros do vovô, são todos raros e alguns estão há muitos e muitos anos na nossa família. Não sei se você sabe, os nossos antepassados pertecem a uma ordem de escribas da idade média.

- Escriba, o que é um escriba?

- Os escribas eram homens de classe nobre, encarregados de escrever nos papiros ou papéis tudo aquilo que era transmitido por quem tinha o saber ou tratavam de copiar quando havia a necessidade da distribuição para mais de uma pessoa ou autoridade.

- Na religião judaica, por exemplo, os escribas tinham papel destacado na sociedade ou ao lado do sumo sacerdote. Eles se encarregavam dos escritos da bíblia por meio de pergaminhos, usando a tinta para desenhar letra por letra, com bico de pena.

- Sara, você poderia traduzir pra mim a palavra per-ga-mi-nho?

- Claro, é o nome dado a uma pele de animal, geralmente de cabra, carneiro, cordeiro ou ovelha, preparada especialmente para nela se escrever.

- Você não sabia, Biel, que o livro, além do conhecimento, ele traz também mensagens subliminares.

- O que é isso?

- São textos dentro de outros textos ou uma mensagem dentro da outra mensagem. É como um bolo com várias camadas e a cobertura de chocolate. A mensagem principal que se quer passar é apenas uma das camadas, normalmente a mais interna.

- Puxa, quanto mistério!

- Bem, vamos ao que interessa, Biel.

- Sim, vamos tentar desvendar estas curvas formadas pela letra “u”.

- Puxa, Pedro Bó, não é que você me fez acordar depois de tanto tempo matutando sobre este papel!

- Como assim, Cara-pálida?

- Você, sem querer, iluminou o caminho de “us”. PER feito de US, então: PER+FEITO+DE+US, isto é, PERFEITO DEUS ou Deus é perfeito. Esta é a dica. O mapa do tesouro está dentro do livro sagrado! Sara falava eufórica cada palavra, com uma alegria indizível por ter encontrado a resposta que ela tanto esperava.

- Viu, resolvi tudo pra você! Disse Gabriel, tentando ser engraçado.

- Qual é, ô sabe-tudo, ainda temos um problema a resolver. O vovô não tinha uma só bíblia. Temos aqui uma cópia autêntica da septuaginta, que é a tradução das escrituras do hebraico para o grego, também o livro da lei, ou a Torá, também existe aqui uma versão da Vulgata, uma edição antiga da bíblia do King James, uma bíblia de estudo do Scofield e ele nos deixou também a versão bíblica traduzida pelo português João Ferreira de Almeida. Mas, de todas elas, a que ele mais gostava é a bíblia de Gutenberg, um exemplar raro da primeira edição.

- Caramba, estou tonto com tanto nome, mas o que é a Torá e quem foi esse Gutenberg?

- Ele era alemão e criou uma prensa de tipos móveis para editar a bíblia. A ideia dele era que todos tivessem acesso a palavra de Deus, até então restrita ao clero.

- Torá é o livro sagrado dos judeus. Nele decodificaram previsões para os principais acontecimentos futuros, por meio do Código da Bíblia. Este livro tem muita importância para o Judaísmo, assim como o Alcorão é vital para o Islamismo.

- E quando a bíblia chegou ao povo, Sara?

- Biel, só para você ter uma ideia, quando o Brasil foi descoberto, a bíblia de Gutenberg já tinha 50 anos!

Enquanto falava, Sara empurrava a comprida escada pelos trilhos da bibioteca, até chegar diante da prateleira onde estava um dos livros mais pesados da estante.

Subiu degrau por degrau até se acercar do grande e volumoso livro de um marrom desbotado, que estava deitado na terceira fila, lugar que ninguém mexia. Na capa, havia adornos metálicos, com a estrela de Davi no centro. Sem descer, abriu ali a pesada capa e deu de cara com a primeira frase: “In principio creavit Deus caelum et terram” (No princípio criou Deus os céus e a terra).

Contendo o anseio de ler aquilo que não entendia, pois estava tudo em Latim, Sara começou a folhear as muitas páginas até dar de cara com uma folha solta.

- Achei! Gritou de tanta felicidade que quase caiu lá de cima.

- O que você vê aí, Sara?

- Apenas uma frase: “Um tesouro não subsiste sem a verdade!”.

- O que quer dizer isso, Sara?

- Calma, estou pensando…

- Existir sob, em baixo ou debaixo? Já sei! A Bíblia é a Verdade, e o tesouro está sob! É isso!

Imediatamente, Sara usou toda sua força para empurrar o tomo um pouquinho mais adiante e percebeu que debaixo do grande livro havia uma tampa falsa.

Afastou outros livros para ganhar espaço e conseguiu, com o auxilio de um grampo de cabelo, abrir a portinhola que se encaixava no vão perfeitamente.

- Caramba!

- O que você achou, Sara?

- Um livro tão antigo que poderia ter estado na Biblioteca de Alexandria. É uma coletânea em sânscrito, segundo a nota explicativa, chamado Vedas, com hinos, cânticos e mantras! Você não tem ideia do valor que esta raridade tem.

- Sara, sinto muito, mas para mim é tudo papel velho, cheirando a mofo e cheio de ácaros.

- Não diga isso, espertinho!

- Sara, eu queria mesmo era achar dindim para comprar pipoca e sorvete, mas, pelo visto, a gente deu com os burros n’água, né?

- Biel, você não se deu conta da riqueza encerrada aqui dentro!

- Sara, pra acabar esse papo cabeça, com a invenção de Gutenberg, nossos familiares passaram a viver de quê?

- Alguns não souberam lidar com a mudança, mas a maioria passou a trabalhar na editoração e venda de livros, também como livreiros e com livrarias. A coisa deixou de ser uma arte e passou para o lado comercial, uma questão de números. Mas isso tudo foi bom para o povo.

- Por quê?

- É que isso barateou o livro, tornando-o disponível a todos. Os grande escritores e poetas passaram a ser lidos por todas as classes sociais, tais como William Shakespeare, Cervantes, Machado de Assis, Camões, Augusto dos Anjos, Castro Alves, Sócrates, Platão, Aristóteles, as novas ideias de Sigmund Freud, os avanços científicos e as notícias que passaram a chegar facilmente a todas as casas, por meio de jornais e revistas.

- Puxa, você tem razão, Sara, a ideia de Gutenberg é pop!

- Sara, e essas raridades que você tanto fala vão ficar aqui dentro só para nós ou vamos emprestar pra todo mundo?

- Nosso pai tem um projeto para disponibilizar tudo eletronicamente.

- Como assim?

- Com o papel cada vez mais escasso, a informática há muito tempo é a solução para viabilizar o acesso ao conhecimento de forma prática e muito mais barata, evitando o desmatamento, com a consequente extinção das florestas, preservando o meio ambiente.

- Hoje já temos o e-book, isto é, o livro eletrônico, que não carece mais do suporte tradicional, estão disponíveis em computadores pessoais, palm, tablets, etc. Futuramente o papel irá sumir, e os escritores contarão suas histórias somente no formato on-line ou a viva voz, como antigamente.

- Puxa, isso é muito legal! E a ideia de Gutenberg continua valendo, não é Sara?

Autor José Maria Cavalcanti

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Atletismo

Adhemar Ferreira da Silva

CURIOSIDADES DO ATLETISMO

Com duas medalhas olímpicas e duas pan-americanas, Adhemar Ferreira da Silva pode ser considerado um dos maiores nomes do atletismo brasileiro de toda a história.

Outro atleta que chegou bem próximo ao Adhemar foi João Carlos de Oliveira, o João do Pulo. Ele conseguiu quatro medalhas pan-americanas e duas medalhas de bronze em olimpíadas, mas sua carreira foi interrompida em 1980, quando sofreu um grave acidente de carro, tendo que amputar sua perna direita.

Com grandes explosões musculares, os norte-americanos são os maiores campeões das provas de velocidade. Só para se ter uma ideia, das 1100 medalhas de ouro distribuídas até hoje, 468 foram parar nas mãos deles.

Nas provas de média e longa distância, a liderança pertence aos africanos, que já conquistaram 54 medalhas douradas.

Nas provas de rua, temos Marilson Gomes dos Santos, que já ganhou a Maratona de Nova Iorque duas vezes, é tricampeão da São Silvestre e foi ouro na meia maratona da Sicília e de Palma de Mallorca.

Já nas provas de salto em altura, os europeus são os que têm o maior número de conquistas, mas não podemos deixar de falar da nossa Fabiana Murer, que já ganhou três medalhas de ouro nessa modalidade, sendo duas em mundiais, 2010 e 2011, e outra nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007.

Atualmente, o nome de maior destaque das provas de velocidade é o jamaicano Usain Bolt. Aos 22 anos, ele venceu as provas de 100 e 200 metros, estabelecendo novos recordes mundiais. O último a conseguir este mesmo feito foi o norte-americano Carl Lewis, 24 anos antes, em Los Angeles – 1984.

O atletismo tem histórias incríveis. Uma delas, todos devem recordar, o brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima liderava a maratona com folga, quando o padre irlandês Cornelius Horan invadiu a pista e o impediu de continuar correndo por um tempo. No final ele chegou em terceiro lugar, e depois o Comitê Olímpico concedeu a ele a medalha Pierre de Coubertin, que enaltece os atletas que valorizam mais a competição que a vitória. Vale ressaltar que Vanderlei já havia sido ouro nos Pan-Americanos de Winnipeg e Santo Domingo.

Outro fato marcante ocorreu em 1988, na Coreia do Sul, quando o velocista Ben Johnson, jamaicano naturalizado canadense, ganhou a medalha de ouro nos 100 metros, estabelecendo novo recorde, mas depois a medalha terminou nas mãos de Carl Lewis, que chegou em segundo, por motivo de ter sido detectado substâncias proibidas no exame antidoping. Ele não só perdeu a medalha como foi banido do esporte.

Carl Lewis, aliás, é o maior vencedor da história do atletismo. São nove ouros e uma prata em olimpíadas. Dois primeiros lugares nos 100 metros e um nos 200, dois no revezamento 4 x 100 e quatro no salto em distância, além de uma prata nos 200 metros rasos.

No atletismo brasileiro, um caso interessante é o da atleta saltadora Maurren Maggi. Ela ganhou a medalha de ouro em 1999 – Winnipeg/Canadá, mas em 2003, por causa de uma substância da fórmula de uma pomada cicatrizante, ela foi suspensa por 8 anos do esporte. Na olimpíada de 2008, Maurren surpreendeu o mundo ao ganhar novamente a medalha de ouro.

Creio que todos se lembram da arrancada final de Joaquim Cruz nos 800 metros, no ano de 1984, deixando o famoso britânico Sebastian Coe na segunda colocação e o americano Earl Jones em terceiro. Um feito de ouro, uma grata surpresa para todos nós naqueles Jogos Olímpicos.

O racismo já foi tema de confusão nos Jogos Olímpicos do México. Os atletas norte-americanos Tommie Smith e John Carlos, ouro e bronze, subiram ao pódio de luvas negras e ouviram o hino de punho serrado, apontando para o céu, como forma de protesto. Eles foram suspensos de competir por um ano.

Fonte: http://marcela.hdfree.com.br/catle.html

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